Solonei Rocha da Silva confirmado no Rio 2016

Atleta da ORCAMPI/Unimed Campinas será um dos três representantes do país na maratona olímpica / Foto: Wagner Carmo/CBAtAtleta da ORCAMPI/Unimed Campinas será um dos três representantes do país na maratona olímpica / Foto: Wagner Carmo/CBAt

Rio de Janeiro - Da infância humilde em Penápolis para a maratona olímpica do Rio de Janeiro. O percurso parece simples, mas engana-se quem pensa que foi fácil. Nos últimos dias, Solonei Rocha da Silva finalmente comemorou sua confirmação como um dos três atletas que irão representar o Brasil na maratona dos Jogos Olímpicos de 2016.
 
A presença do atleta da equipe ORCAMPI/Unimed Campinas foi ratificada na lista divulgada pela Confederação Brasileira de Atletismo e coroa um ciclo de muita dedicação do fundista de 34 anos, que também tem patrocínio da Asics Brasil, EMS, Oakley, Exército Brasileiro e apoio da Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista.
 
“Nunca imaginei que sairia de Penápolis com quase 30 anos para me tornar esse atleta campeão em vários locais do Brasil e do mundo. Tudo isso é resultado de muita dedicação e suor derramados nas ruas e pistas de atletismo”, comenta Solonei.
 
O maratonista descobriu a corrida quase que por acaso. Antes disso, trabalhou junto com o pai como pedreiro e depois em uma indústria de secagem de couro. Foi nessa época que teve o primeiro contato com o atletismo, em meados de 2003, em uma prova de 3.300 metros organizada pela própria empresa. “Decidi correr por curiosidade e por insistência de um amigo da fábrica, não sabia como funcionava ou se conseguiria concluir o percurso sem ter que caminhar”.
 
Por falta de tênis adequado, Solonei correu com chuteiras e ficou com o corpo todo dolorido. Venceu a corrida e no dia seguinte teve que ser remanejado para uma função que pudesse ficar parado. “Nunca fiquei me lamentando pelos motivos que fizeram eu ter dificuldades, pois são nesses momentos que nos fortalecemos e temos a certeza do que queremos”, conta o atleta.
 
O episódio inusitado já deixava claro a garra de Solonei. Atraído pela estabilidade que um concurso público proporciona e aconselhado pela mãe, o fundista começou a trabalhar como coletor de lixo. Se manteve afastado das corridas por um tempo e aos poucos voltou a participar de eventos nas cidades próximas de Penápolis. O trabalho o ajudou no preparo para as provas e seus resultados começaram a aparecer. “Só depois que pensei que a coleta poderia me ajudar na corrida de rua”, explica. “Não é muito difícil assimilar as duas funções, uma corre com peso extra e outra não tem pausa. Basicamente é essa diferença entre as duas”.
 
Foi então que Solonei tomou a decisão de seguir a dura carreira de atleta profissional. A consagração de todo esse esforço veio com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americano de Guadalajara, em 2011. “Senti um misto de tudo: alegria, superação, dedicação, luta diária para sair do sufoco de não ter uma boa qualidade de vida para mim e para a minha família. Felizmente hoje eu conquistei tudo isso, o Pan foi o início dessa mudança”, comenta Solonei.
 
Sob a orientação de Ricardo D´Angelo desde 2014, Solonei disputou o Mundial de Pequim no ano passado. Em uma prova duríssima, com muitos abandonos dos favoritos, carimbou o passaporte para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Estava entre os melhores maratonistas do planeta. Sair de onde eu saí e chegar onde eu cheguei não é para qualquer atleta. Tem que ter muita garra, dedicação, perseverança e, acima de tudo, resiliência para não desistir no meio dessa jornada”, completa Solonei.
 
Os treinos para a maratona olímpica seguem firme na pista do Centro Esportivo de Alto Rendimento, onde treina a equipe ORCAMPI/Unimed Campinas. Frequentemente Solonei também “roda” em Bragança Paulista, onde mora e cursa o último ano da faculdade de Educação Física.
 
Acostumado a lidar com pressão, o maratonista está pronto para mais esse grande desafio. “Ser convocado para a maior competição do mundo não é para qualquer um. Com toda certeza é um momento especial na minha carreira. Ser um atleta olímpico é para a vida toda, o respeito pelos arcos olímpicos e simbologia dos mesmos é algo indescritível”.
 
Em relação aos adversários no Rio de Janeiro, Solonei é bem objetivo. “Sou eu mesmo, o clima e o relógio. Trabalho pela minha família, pelo meu clube, meu treinador, patrocinadores e pelo povo brasileiro. Essa é uma página em branco, que eu quero muito pintar de verde e amarelo”, conclui o atleta.
 

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