Brasileiras recebem incentivo do público para completar a maratona

Com dificuldade a partir do quilômetro 35, Adriana Aparecida, Marily e Graciete estão entre as 133 competidoras que foram até o fim da prova / Foto: Alexandre Loureiro/Exemplus/COBCom dificuldade a partir do quilômetro 35, Adriana Aparecida, Marily e Graciete estão entre as 133 competidoras que foram até o fim da prova / Foto: Alexandre Loureiro/Exemplus/COB

Rio de Janeiro - Uma manhã de sol e calor inclementes recebeu as atletas da maratona feminina neste domingo, 14 de agosto, com saída e chegada na Praça da Apoteose. Das 157 maratonistas que começaram a prova mais tradicional dos Jogos Olímpicos, 24 não completaram os 42 quilômetros.
 
Adriana Aparecida da Silva, Marily dos Santos e Graciete Moreira, as três brasileiras classificadas, estiveram entre as 133 que foram até o fim, sob os aplausos e gritos não só do público que prestigiou a corrida no Sambódromo, mas dos milhares de torcedores que se espalharam pelas ruas do percurso – que passou por Aterro do Flamengo, Paço Imperial, 1º de Março, Candelária e Praça Mauá, com o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR) emoldurando esse pedaço do trajeto.
 
A prova foi vencida pela queniana Jemima Jelagat Sumgong, com o tempo de 2h24min04s, seguida de Eunice Kirwa (2h24min13s), de Bahrein, e da etíope Mare Dibaba (2h24min30). A atleta brasileira mais bem classificada foi a campeã dos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015, a paulista Adriana Aparecida da Silva, que chegou na 69ª colocação, com o tempo de 2h43min22s – em sua primeira edição de Jogos Olímpicos, em Londres 2012, Adriana ficou em 46º, com 2h33min15s.
 
"O calor foi sacrificante, principalmente no final. Foi a prova mais dura que eu fiz na vida. Mas também a mais especial. Arrisquei no início, sabia que esse clima quente ia ser alucinante e que, arriscando, eu poderia pagar o preço no final. Mas eu quis. E quebrei no quilômetro 35. Deus me deu força para completar os quilômetros finais, além da torcida, que me empurrou até o fim. Era gente gritando a todo momento. Essa torcida não tem noção do quanto foi importante. Eles é que me deram força a cada passada. Eram mais 8 quilômetros de luta e tenho certeza de que, sem eles, eu não conseguiria. Hoje o mais importante para mim não foi marca, não foi medalha. Foi estar aqui no meu país, representando esse povo alegre", disse Adriana, de 35 anos, lembrando que chegou a duvidar de que estaria correndo a essa altura da vida: "Em 2005 tive uma lesão que achei que encerraria a minha carreira. Então hoje eu fico feliz por estar numa segunda Olimpíada, num momento tão especial".
 
A alagoana Marily dos Santos, de 38 anos, ficou em 78º lugar, com o tempo de 2h45min08s, e a baiana Graciete Moreira, 35 anos, terminou a prova em 128º lugar, com 3h09min15s. É minha segunda participação olímpica. Não é fácil, é muito sacrificante. Então só de estar aqui, eu não posso descrever a alegria. Não importa tempo, não importa clima, eu queria sol. Eu sou nordestina. Não é calor que vai me atrapalhar. Eu queria era estar aqui", disse Marily, que sentiu a prova no mesmo momento que Adriana: "Lá pelo quilômetro 35 foi difícil. Mas eu fui em frente. Muita gente me disse que eu não conseguiria chegar até o fim, mas não se pode olhar para baixo. Tem que olhar para frente e para cima", afirmou.
 
A maratona masculina vai ocorrer no próximo domingo, 21 de agosto, último dia de competição nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
 

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