Poliana vence trauma e é bronze com 4º lugar: "merecia essa medalha"

Poliana Okimoto é bronze para o Brasil / Foto: Adam Pretty / Getty ImagesPoliana Okimoto é bronze para o Brasil / Foto: Adam Pretty / Getty Images

Rio de Janeiro - Há quatro anos atrás, numa cobertura totalmente autofinanciada e sem credenciamento oficial, o Esporte Alternativo esteve em Londres, para as Olimpíadas de 2012. Cobrimos poucos esportes, sob a ótica da torcida, graças aos ingressos que tínhamos adquirido. Uma dessas provas foi a maratona aquática feminina, de 10km, na qual a brasileira Poliana Okimoto era uma das favoritas. 

Na ocasião, Poliana sofreu com a temperatura da água e acabou abandonando a prova com hipotermia (relembre aqui). Hoje, na Rio 2016, ela colocou seu nome na história do esporte aquático brasileiro, ao alcançar a medalha de bronze na mesma prova, só que agora num dia ensolarado e de mar calmo em Copacabana. 

De um jeito um pouco diferente, já que no final da prova, a nadadora tinha ficado apenas em quarto lugar. A francesa Aurelie Muller, que tinha sido terceira colocada, acabou desclassificada por ter impedido a italiana Rachele Bruni, medalhista de prata, no momento da chegada. O ouro ficou para a holandesa Sharon van Rouwendall, impecável nas últimas duas voltas. 

"Quando eu fiquei em quarto, eu saí satisfeita porque eu dei o meu máximo e eu sabia que não tinha o que dar mais, nem durante a preparação, nem durante a prova. Eu fiz a melhor prova da minha vida. Mas quando veio o terceiro lugar foi emocionante, eu já sou meio chorona para tudo. Não consegui segurar as lágrimas, é muito emocionante estar aqui", declarou Poliana à imprensa na zona mista após a prova. 

Poliana fez uma prova bastante regular em Copacabana / Foto: Buda Mendes / Getty ImagesPoliana fez uma prova bastante regular em Copacabana / Foto: Buda Mendes / Getty Images

Ela viveu momentos de muita dificuldade depois de ter sido favorita em Londres e acabado abandonando a prova, vivendo meses em depressão. "Depois de Londres eu tive um momento muito difícil, e eu acho que comecei a acreditar nessa medalha em 2013 quando eu fui campeã mundial. Só que aí em 2014 eu tive uma lesão, demorei para voltar, o meu objetivo em 2015 era classificar. Aí voltei a treinar, e muito bem, fiz treinos inacreditáveis, a minha preparação foi muito boa. Eu construí essa medalha cada dia, em cada treino meu", relata a atleta, que chegou a fazer treinos de 100 km semanalmente. 

Poliana, que era a mais velha das 26 atletas que nadaram a maratona aquática nesta segunda-feira (33 anos), foi questionada, pelo Esporte Alternativo, o quanto essa experiência contou no bronze de hoje. 

"A experiência conta muito na maratona aquática, ali na última volta eu podia ter parado para me alimentar ou não, eu estava em segundo lugar, no pé da holandesa, ela estava tentando escapar, estava bem forte o ritmo. Acho que a experiência contou muito, de eu não ter parado, eu fiquei 5 km sem me alimentar, foi difícil, senti falta de energia, de hidratação no final, mas foi uma atitude certa, se eu tivesse parado todo mundo teria encaixotado ali e eu talvez não tivesse conseguido essa medalha", avalia. 

Pioneira na maratona aquática, tendo conseguido a primeira medalha de uma atleta brasileira em campeonatos mundiais de esportes aquáticos, em 2006, Poliana volta a escrever seu nome na história, com a primeira medalha de esportes na água em Jogos Olímpicos (a melhor colocação havia sido um quinto lugar, posição que três atletas brasileiras já haviam alcançado).

"Eu me sinto muito realizada nesse sentido, porque eu fui a pioneira na maratona aquática, lá em 2006 quando eu conquistei a primeira medalha em campeonatos mundiais para os esportes aquáticos. Acho que foi o início de uma era muito boa, o Allan e a Ana Marcela vieram nesse lastro meu. Esses primeiros resultados que eu tive abriram muito as portas para o meu esporte e para os atletas que estavam crescendo junto comigo. Minha carreira foi muito bonita, eu consegui sair do zero, a maratona aquática no Brasil ninguém sabia o que era, então eu fui a primeira e merecia muito a medalha", observa a medalhista brasileira. 

Poliana Okimoto / Foto: Clive Rose / Getty ImagesPoliana Okimoto / Foto: Clive Rose / Getty Images

Ana Marcela, a outra brasileira da prova, que era considerada uma das favoritas e é atual campeã mundial da maratona aquática 10km, sofreu com um problema nessa manhã, como explica Jorge Souza Santos, assessor de imprensa da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). 

"Na segunda parada teve problema, na terceira ela resolveu se alimentar e não deu, faltou energia no fim. Ela falou que era para estar no pódio mas sem alimentação a energia foi... Ela está arrasada, passou aqui chorando, mas no final disse que pelo menos o Brasil está no pódio, valeu para a Poliana", declarou. 

Na maratona aquática as atletas podem parar para se alimentar e hidratar em três momentos, nos 2,5km, 5km e nos 7,5km. Ana Marcela parou apenas no primeiro posto. No segundo houve muita gente e ela não conseguiu, deixou então para se alimentar no terceiro posto, mas como estava muito atrás, achou melhor seguir. Faltou energia então, no final, para alcançar as líderes.

"Entrei nessa prova leve, a pressão não estava em cima de mim, estava totalmente em cima da Ana Marcela, talvez ela tenha sentido um pouco. Mas a experiência conta muito, e contou bastante hoje. Tudo é vivência, é aprendizado", afirma Poliana. 
 
Ana Marcela passou pela imprensa com uma toalha no rosto e visivelmete emocionada. Ela não quis dar entrevistas.

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