Largada da maior regata trans atlântica do mundo acontece no Sábado

Largada da maior regata trans atlântica do mundo acontece no Sábado / Foto: DivulgaçãoLargada da maior regata trans atlântica do mundo acontece no Sábado / Foto: Divulgação

Africa do Sul - A Cape2Rio 2020, maior regata oceânica do Atlântico Sul, terá sua largada amanhã, sábado, 11 de janeiro. A prova disputa-se num percurso de 3.500 milhas em alto mar, será disputada por competidores de todo o mundo, durante 18 a 20 dias, com chegada no Iate Esporte Clube do Rio de Janeiro. A largada acontece às 12:00 (horário da África do Sul).
 
O Mussulo 40 – Team Angola Cables – vai competir na categoria doublehanded, tripulação de duas pessoas, constituída pelo comandante angolano, José Guilherme Caldas, e pelo skypper brasileiro, Leonardo Chicourel, único brasileiro presente na competição.
 
Durante a Cape2Rio 2017, o Mussulo 40 atravessou a linha de chegada do Iate Esporte Clube do Rio de Janeiro com tempo final de 16 dias, 14 horas 22 minutos e 12 segundos, estabelecendo recorde e recebendo o prêmio de primeira colocação na classe Double Hand, além do quarto lugar na colocação geral. “Somos uma equipe formada apenas por dois tripulantes e apesar de todas as adversidades encontradas ao longo da jornada, conseguimos disputar de igual para igual com tripulações completas de profissionais, em barcos maiores”, relembra José Guilherme Caldas.
 
A expectativa para esta prova é a quebra do recorde anterior. A dupla busca completar o trajeto em até 15 dias.  “Vamos levar mais experiência para a regata. Assim, se o tempo em alto mar ajudar, esperamos bater o recorde, mas, acima de tudo, velejar melhor”, pondera Chicourel.
 
Velejar em um barco doublehanded tem um lado bom e ruim, segundo o profissional. O lado bom é que a navegação em dupla proporciona um melhor gerenciamento das tarefas quando comparado a outras modalidades náuticas, em barcos maiores e com mais tripulantes. O lado ruim é o revezamento constante das funções: enquanto um descansa, o outro assume o leme. Porém, quando surge uma manobra difícil, os dois precisam estar a postos. “Velejar em dupla é um desafio interessante porque temos que superar nossos próprios limites. Passamos muito tempo sozinhos no cockpit, trabalhando e velejando sozinhos”, Explica.
 
Ajustes na embarcação e últimos treinos - Josh Hall, lendário velejador britânico e Pip Hare, experiente navegadora estão na cidade sul africana para ajudar a dupla na preparação do barco, nos treinamentos e no planejamento estratégico pré-regata.
 
“O leme do barco foi reparado. As velas foram redesenhadas, incluímos um novo sistema de carregamento de baterias e acoplamos um “fogão” novo para aquecer a água que é utilizada para adicionar à comida liofilizada”, diz Zé Guilherme, que completa: “o programa desta semana será finalizar os reparos e velejar”
 
Curiosidades da viagem:  
 
Alimentação – Os dois velejadores adotarão uma dieta muito bem delineada em alto mar. José Guilherme Caldas consumirá cerca de 3.000 calorias por dia e Leonardo Chicourel, cerca de 3.500. O montante será dividido em três refeições por dia para cada um. Os alimentos são liofilizados e não podem ter contato com o sol. 
 
Roupas – O mussulo 40 se desloca no oceano em alta velocidade e sua estrutura é ininterruptamente atingida pela força da água do mar. Assim, seus tripulantes precisam usar roupas resistentes e vedadas contra água e o frio constante, como as constituídas de tipo Kevlar, calças do gênero jardineiras e botas impermeáveis. Além disso, estão o tempo todo providos de coletes Arnês, que possibilitam mantê-los presos ao barco por ganchos impedindo a queda no mar.
 
Tecnologia – Os velejadores dispõem de um programa de computador chamado Expedition - uma espécie de Waze dos mares. O programa sugere a melhor rota marítima de acordo com a previsão meteorológica. Eles também utilizam um sistema de GPS a bordo, que permite a visualização da posição do barco no oceano inclusive por qualquer pessoa, além de um Iridium, telefone satélite de longo alcance.
 
Lobo do mar – José Guilherme Caldas, médico neuroradiologista, aprendeu a velejar por volta dos 8 anos de idade com seu irmão. Aos 13, ganhou seu próprio barco. Uma de suas paixões de infância era navegar de manhã bem cedo – e sozinho – da Ilha de Mussulo, onde residia, até Luanda, em Angola. Sua família se refugiou no Brasil durante a Guerra Civil Angolana (1975 – 2002). Ele tinha 15 anos. A família escolheu a cidade de Vitória (Espírito Santo) para viver, região ideal para a prática da vela por conta dos ventos muito fortes. Lá, treinou a modalidade esportiva, deu aulas para crianças e participou de muitos campeonatos, conquistando quase todos. Por volta dos 18, precisou parar para se dedicar ao estudo da medicina na faculdade. Porém, aos 38 anos, José Guilherme comprou seu primeiro veleiro para cruzeiro oceânico e não parou mais de disputar profissionalmente, ganhando muitos títulos.
 
 
 

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