Senegal - A trajetória de Clarisse Vallim no judô ainda está no começo, mas carrega a influência de mulheres que ajudaram a escrever capítulos importantes da modalidade. Maria Portela, Mayra Aguiar, Rafaela Silva e a francesa Clarisse Agbegnenou estão entre as referências da jovem brasileira, que teve em Dakar a oportunidade de transformar admiração em convivência, troca e aprendizado.
Com Maria Portela, essa relação ganhou contornos ainda mais especiais. Durante anos, a experiente judoca brasileira, que esteve em Dakar como treinadora e chefe de equipe, competiu nos 70kg, justamente na categoria em que Vallim luta atualmente no circuito juvenil. Além da experiência para compartilhar, Portela reconheceu na jovem características que remetem à própria trajetória.
“Ela tem vontade, ela gosta. É forte como eu, não é tão alta, como eu também não era, e é bastante explosiva. Ela faz os golpes que eu fazia, então é muito legal. Penso: ‘Poxa, eu realmente posso somar bastante na carreira dela’. Isso me impulsiona também”, contou Portela.
Ao acompanhar de perto a participação da jovem medalhista de ouro nos 78kg em Dakar, Portela também destacou a maneira como Clarisse lidou com os momentos mais complicados no tatame.
“Ela foi uma guerreira. A segunda e a terceira luta foram mais difíceis, mas ela conseguiu conduzir, manteve a tranquilidade e resolveu”, concluiu.
“Eu confio muito na Portela, e ela é uma grande inspiração para mim. É muito importante pra mim conviver com uma pessoa como ela e ter as orientações dela sempre por perto”, comentou Vallim sobre a sensei.
Se Maria Portela se tornou uma referência próxima, capaz de compartilhar experiências vividas na mesma categoria, a francesa Clarisse Agbegnenou ocupou outro lugar especial na história da brasileira. A admiração começou à distância, acompanhando uma das principais judocas de sua geração pelas redes sociais, e chegou até mesmo à relação de Vallim com o próprio nome.
“Eu adoro meu nome por causa dela. É uma honra, porque eu acompanho ela pelo Instagram e poder ter essa troca aqui e em outras competições. Aqui foi ainda mais especial, me deixou muito feliz, muito emocionada”, disse a brasileira.
“Às vezes fico até um pouco com vergonha, mas com certeza é uma honra estar ao lado de uma estrela como a Clarisse. É um sonho viver metade do que ela viveu”, afirmou Vallim.
Em Dakar, a admiração ganhou uma nova dimensão. Agbegnenou não apenas foi conversar com a jovem brasileira, como também demonstrou carinho, confiança e torcida por ela.
“A Clarisse é uma pessoa muito gentil, muito humilde e muito forte. Ela quer dar tudo de si, quer vencer e acreditei muito na vitória dela hoje. Por isso, também estou aqui para torcer por ela”, disse Agbegnenou.
A francesa ainda deixou uma mensagem diretamente para a brasileira, incentivando Vallim a continuar acreditando nos próprios sonhos e destacando a oportunidade de ter Maria Portela ao seu lado.
“Clarisse, continue acreditando nos seus sonhos e continue treinando bastante. Além disso, você está ao lado da melhor, a Portela, que também é uma grande amiga minha. Ela vai te dar muitos conselhos e acredito que você pode conseguir. Aproveite essa experiência dos Jogos Olímpicos para ir ainda mais longe.”
Agbegnenou terminou a mensagem olhando para o futuro e projetando para Vallim justamente um dos maiores sonhos possíveis para uma jovem atleta. “Espero que, quando você crescer, tenha a oportunidade de disputar Jogos Olímpicos ainda maiores. Boa sorte!”
Mayra Aguiar e Rafaela Silva completam a lista de grandes campeãs que inspiram Vallim e representam diferentes caminhos possíveis dentro do judô.






