Azerbaijão - O centro do judô mundial se transfere para Baku a partir deste domingo (4). Até 11 de outubro, a capital do Azerbaijão recebe o Campeonato Mundial Sênior de 2026, principal competição da temporada e um dos eventos mais importantes do ciclo para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
A competição reúne mais de 600 atletas de mais de 90 países e distribuirá 14 títulos individuais, sete no masculino e sete no feminino. No último dia, o Mundial será encerrado com a disputa por equipes mistas. Dados atualizados da Federação Internacional de Judô (IJF) apontam 622 atletas de 93 países inscritos no torneio individual.
O peso esportivo do Mundial vai além das medalhas. Baku está inserida diretamente no período classificatório para Los Angeles 2028 e é a competição que oferece a maior pontuação do circuito internacional: 2.000 pontos para o campeão de cada categoria, 1.400 para o vice e 1.000 para os medalhistas de bronze.
É justamente essa combinação entre título mundial e corrida olímpica que coloca a edição de 2026 em um patamar especial.
Uma constelação de campeões - Baku recebe alguns dos principais judocas da atual geração. Entre eles estão campeões olímpicos, líderes do ranking mundial e atletas que já dominaram Campeonatos Mundiais.
Um dos protagonistas será o azerbaijano Hidayat Heydarov, campeão olímpico dos 73 kg em Paris 2024. Lutando em casa, ele terá o apoio da torcida e tentará acrescentar mais um grande título ao currículo. No mesmo peso estará o brasileiro Daniel Cargnin, atual vice-campeão mundial e número 2 do ranking da categoria.
Outro campeão olímpico do Azerbaijão em Paris, Zelym Kotsoiev, também compete diante da torcida nos 100 kg. O país transformou o judô em uma de suas modalidades de maior projeção internacional e volta a receber o Mundial depois da edição realizada em Baku em 2018.
Entre as mulheres, o torneio também reúne nomes consagrados. A japonesa Uta Abe, campeã olímpica em Tóquio, aparece entre as principais estrelas dos 52 kg. Já a francesa Clarisse Agbegnenou, uma das maiores judocas da história recente, está na chave dos 63 kg.
Nos pesos pesados, a brasileira Beatriz Souza, campeã olímpica em Paris 2024, terá logo pela frente outra campeã olímpica: a japonesa Akira Sone.
Brasil leva 19 atletas para Baku - O Brasil chega ao Azerbaijão com uma das maiores delegações possíveis. São 19 judocas, sendo 18 inscritos nas disputas individuais — nove homens e nove mulheres — e Thauana Silva convocada especificamente para reforçar a equipe mista.
A seleção chega ao Mundial depois de uma temporada consistente no circuito internacional. Antes de Baku, os brasileiros participaram de nove etapas de Grand Slam e Grand Prix e subiram ao pódio em todas elas. Foram 38 medalhas: nove ouros, sete pratas e 22 bronzes.
Entre os principais nomes estão Beatriz Souza, campeã olímpica dos pesos pesados; Rafaela Silva, bicampeã mundial e medalhista olímpica; Larissa Pimenta, medalhista olímpica; e Daniel Cargnin, prata no Mundial de 2025.
Rafaela Silva chega em momento especialmente forte. Aos 63 kg, aparece como terceira cabeça de chave e número 3 do ranking mundial. Daniel Cargnin também inicia o torneio como segundo cabeça de chave dos 73 kg. Nos 100 kg, Leonardo Gonçalves igualmente aparece como número 2 do ranking.
Experiência e nova geração - A equipe brasileira também mistura atletas consolidados com uma geração que começa a ocupar espaço no circuito principal.
Aos 18 anos, Clarice Ribeiro disputa seu primeiro Mundial Sênior nos 48 kg. Bicampeã mundial entre os cadetes, a brasileira estreia contra a mongol Anudari Jamsran, justamente uma adversária que venceu na final do Mundial Cadete de 2024. Rafaela Rodrigues, Sarah Souza, David Lima e Guilherme de Oliveira também estão entre os brasileiros que fazem sua estreia na principal competição mundial da categoria adulta.
O Mundial pode, portanto, funcionar tanto como disputa imediata por medalhas quanto como uma espécie de fotografia da seleção brasileira a menos de dois anos de Los Angeles.
Tradição brasileira em Mundiais - O Brasil possui uma história importante na competição. A primeira participação brasileira aconteceu em 1958. O primeiro pódio veio em 1971, quando Chiaki Ishii conquistou o bronze. Em 2005, João Derly tornou-se o primeiro campeão mundial brasileiro e repetiu o título dois anos depois.
Entre as mulheres, o primeiro ouro veio em 2013, no Rio de Janeiro, com Rafaela Silva. Ao todo, o país soma 68 medalhas em Campeonatos Mundiais, considerando provas individuais e equipes. São 57 pódios individuais — nove ouros, 14 pratas e 34 bronzes — além de outras 11 medalhas nas competições por equipes.
A maior medalhista brasileira da história dos Mundiais continua sendo Mayra Aguiar, com sete pódios: três ouros, uma prata e três bronzes.
Os brasileiros no Mundial de Baku
Feminino: Clarice Ribeiro (-48 kg), Larissa Pimenta e Rafaela Rodrigues (-52 kg), Jéssica Lima e Sarah Souza (-57 kg), Rafaela Silva (-63 kg), Nauana Silva (-70 kg), Beatriz Freitas (-78 kg), Beatriz Souza (+78 kg) e Thauana Silva (+78 kg, apenas por equipes).
Masculino: Michel Augusto (-60 kg), Ronald Lima (-66 kg), Daniel Cargnin e Guilherme de Oliveira (-73 kg), David Lima (-81 kg), Guilherme Schimidt e Rafael Macedo (-90 kg), Giovani Ferreira e Leonardo Gonçalves (-100 kg).
Programação do Mundial
A disputa individual seguirá o mesmo princípio adotado nos Jogos Olímpicos, com uma categoria masculina e uma feminina por dia.
- 4 de outubro: masculino -60 kg e feminino -48 kg
- 5 de outubro: masculino -66 kg e feminino -52 kg
- 6 de outubro: masculino -73 kg e feminino -57 kg
- 7 de outubro: masculino -81 kg e feminino -63 kg
- 8 de outubro: masculino -90 kg e feminino -70 kg
- 9 de outubro: masculino -100 kg e feminino -78 kg
- 10 de outubro: masculino +100 kg e feminino +78 kg
- 11 de outubro: equipes mistas
No encerramento, o Brasil chega como cabeça de chave número 1 da disputa por equipes e estreia contra a China. Em caso de vitória, poderá enfrentar Cuba ou Turquia nas quartas de final.
Onde assistir - No Brasil, as preliminares e as disputas por medalhas terão transmissão pela CazéTV. SporTV e Time Brasil TV também exibem as fases decisivas. Segundo a CBJ, as finais começam a partir das 11h, pelo horário de Brasília, na maior parte dos dias.
Baku já estava habituada a receber grandes eventos do circuito, mas o Mundial coloca novamente o Azerbaijão no centro da modalidade. O país havia sediado a competição pela última vez em 2018 e agora recebe uma edição que, além de definir 15 títulos mundiais contando a disputa por equipes, pode começar a desenhar com mais clareza quem chegará a Los Angeles 2028 como favorito ao pódio olímpico.






