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Em 41 anos de história, Brasil tem 17 medalhas, 5 de ouro, e 4 campeões do Mundial Indoor
Foto: Wagner Carmo/CBAt

São Paulo - Zequinha Barbosa, Fabiana Murer, Mauro Vinícius da Silva e Darlan Romani levaram o país ao lugar mais alto do pódio em cinco ocasiões; 21ª edição da disputa em pista coberta começa na sexta-feira (20/3), em Kujawy Pomorze, na Polônia.

O Mundial Indoor de atletismo chega, em 2026, a sua 21ª edição, que será disputada em Kujawy Pomorze, na Polônia, de 20 a 22 de março. Já são 41 anos da disputa em ginásios com pistas cobertas. O Brasil, participante desde o primeiro Mundial, conquistou 17 medalhas, e tem cinco ouros com quatro atletas: Zequinha Barbosa, Fabiana Murer, Darlan Romani e Mauro Vinícius da Silva, o Duda, único bicampeão mundial do país.

A primeira edição do Mundial Indoor foi disputada em 1985, na cidade de Paris, sob o nome de Jogos Mundiais Indoor. Apesar de ser uma competição criada para atender os países do hemisfério norte, com o objetivo de manter uma agenda de competições mesmo no inverno, o Brasil sempre esteve presente na disputa. E, já na edição inaugural, realizada no Palais Omnisports de Paris-Bercy, conquistou sua primeira medalha: João Batista Eugênio da Silva conquistou o bronze nos 200 metros, em 19 de janeiro, com o tempo de 21.19.

Foi em 1987 que o hino nacional tocou em um Mundial Indoor pela primeira vez. O meio-fundista Zequinha Barbosa foi campeão dos 800 metros, com o tempo de 1:47.49 – na ocasião, recorde brasileiro e sul-americano. A disputa foi realizada no antigo Hoosier Dome, em Indianápolis, nos EUA.

Zequinha, então com 25 anos, treinava nos Estados Unidos desde 1983, no grupo de Luiz Alberto de Oliveira, em Eugene, no Oregon, que também contava com Joaquim Cruz e Agberto Guimarães. Naquela temporada de 1987, o especialista nos 800 metros ainda seria prata nos Jogos Pan-Americanos, também disputados em Indianápolis, e bronze no Mundial de Roma, em pista ao ar livre. Zequinha ainda voltou ao pódio em um Mundial Indoor em 1989, quando foi vice-campeão em Budapeste, na Hungria, com a marca de 1:45.55.

O Brasil ficou mais de duas décadas longe do ouro em um Mundial Indoor, até que Fabiana Murer se tornou a primeira mulher brasileira campeã do mundo, no ano de 2010, em Doha, no Catar. Fabiana, que elevou o salto com vara do Brasil a um nível competitivo mundial, já havia sido medalha de bronze no Mundial de 2008, em Valência (Espanha). Mas, no Aspire Dome de Doha, colocou seu nome na história.

Fabiana garantiu o ouro com a marca de 4,80 m. Deixava para trás ninguém menos do que a recordista mundial Yelena Isinbayeva – a então campeã olímpica ficou em 4º lugar. Também derrotou a polonesa Anna Rogowska, campeã mundial no ano anterior, que foi bronze. Naquele mesmo ano, Fabiana ainda seria campeã da Diamond League. E, em 2011, na temporada seguinte, celebraria o título mundial ao ar livre, em Daegu (Japão), também derrotando a "czarina" Isinbayeva.

O título de Fabiana Murer inaugurou uma década vitoriosa para o Brasil, que consagrou Mauro Vinícius da Silva, o Duda, como o único bicampeão mundial do país, com a vitória no salto em distância nas edições de Istambul, na Turquia, em 2012, e em Sopot, na Polônia, em 2014.

O primeiro título mundial de Duda veio com a marca de 8,23 m, conquistada duas vezes na final. Foi o resultado perfeito de quem já tinha se destacado na qualificação – o brasileiro passou à disputa de medalhas com o resultado de 8,28 m, o melhor do mundo naquele ano.

Se, na Turquia, Duda chegou a ser considerado por alguns como "azarão", a qualidade técnica do brasileiro passou a ser inquestionável dois anos depois. O saltador defendeu seu título com excelência e conquistou o inédito bicampeonato para o país. Com a marca de 8,28 m, subiu novamente ao lugar mais alto do pódio na Polônia. O bicampeonato veio com muita emoção. Duda só garantiu o ouro na sexta e última tentativa. Até então, era o quinto colocado, com 8,06 m. Além disso, tinha passado por uma difícil preparação, por causa de lesões.

Darlan Romani é o mais recente brasileiro campeão mundial. Em 2022, consagrou-se com a medalha de ouro no arremesso do peso em uma prova fortíssima. Na Stark Arena de Belgrado, na Sérvia, ganhou a disputa com 22,53 m, recorde sul-americano – ele melhorou a marca continental por três vezes durante a prova.

Para levar o Brasil ao lugar mais alto do pódio, Darlan derrotou o então bicampeão olímpico e recordista mundial Ryan Crouser, dos EUA, que foi prata (22,44 m) – o brasileiro impôs o fim de uma invencibilidade de 26 competições consecutivas de Crouser, considerado o maior arremessador de peso da história. Crouser é, ainda hoje, recordista mundial da prova (23,56 m, de 2023) e o único tricampeão olímpico da prova (Rio-2016, Tóquio-2020 e Paris-2024).

As medalhas do Brasil em Mundiais Indoor

Ouro

Zequinha Barbosa - 800 m - 1:47.49 - Indianápolis (EUA) - 8/3/1987 Fabiana Murer - salto com vara - 4,80 m - Doha (QAT) - 14/3/2010 Mauro Vinícius da Silva - salto em distância - 8,23 m - Istambul (TUR) - 10/3/2010 Mauro Vinícius da Silva - salto em distância - 8,28 m - Sopot (POL) - 8/3/2014 Darlan Romani - arremesso do peso - 22,53 m - Belgrado (SRB) - 19/3/2022

Prata

Zequinha Barbosa - 800 m - 1:45.55 - Budapeste (HUN) - 4/3/1989 Jadel Gregório - salto triplo - 17,43 m - Budapeste (HUN) - 7/3/2004 Jadel Gregório - salto triplo - 17,56 m - Moscou (RUS) - 12/3/2006 Maurren Maggi - salto em distância - 6,89 m - Valencia (ESP) - 9/3/2008 Almir Júnior - salto triplo - 17,41 m - Birmingham (GBR) - 3/3/2018 Thiago Braz - salto com vara - 5,95 m - Belgrado (SRB) - 20/3/2022

Bronze

João Batista Eugênio da Silva - 200 m - 21.19 - Paris (FRA) - 19/1/1985 Robson Caetano - 200 m - Indianápolis (EUA) - 8/3/1987 Maurren Maggi - salto em distância - 6,70 m - Birmingham (GBR) - 14/3/2003 Osmar Barbosa dos Santos - 800 m - 1:46.26 - Budapeste (HUN) - 7/3/2004 Fabiana Murer - salto com vara - 4,70 m - Valencia (ESP) - 8/3/2008 Keila Costa - salto em distância - 6,63 m - Doha (QAT) - 14/3/2010

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