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Atletismo Brasil reverencia pioneiras no Dia Internacional da Mulher / Foto: Divulgação
Foto: CBAt

São Paulo - O Atletismo Brasil tem muitas mulheres que foram vanguardistas em suas gerações, colocaram o Brasil em destaque no cenário mundial e fizeram história. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) reverencia a todas as mulheres da modalidade e do esporte por meio de pioneiras como Melânia Luz, Aída dos Santos, Maurren Higa Maggi, Fabiana Murer e Juliana Campos, neste 8 de março de 2026, Dia Internacional da Mulher.

A data tem origem nos movimentos operários e feministas do início do século XX e foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1977. Simboliza a luta histórica das mulheres por igualdade salarial, melhores condições de trabalho, direitos políticos, contra o machismo e a violência. No esporte e no atletismo a data marca também a luta das mulheres por equidade de gêneros.

A velocista Melânia da Luz foi uma pioneira na história do esporte olímpico brasileiro como a primeira atleta negra a integrar uma delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres-1948. Nasceu em 1928 e morreu em 2016 abrindo um caminho para gerações de mulheres negras no atletismo e no esporte. Foi recordista sul-americana dos 100 m e dos 200 m.

Melânia integra o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e foi agraciada com o título de Emérita da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) “In Memoriam”, num reconhecimento para quem quebrou barreiras no esporte, após apenas 60 anos da abolição da escravatura no Brasil.

Aída dos Santos também é uma negra pioneira: foi finalista olímpica e única mulher na delegação brasileira que disputou os Jogos de Tóquio-1964 - 4ª colocada no salto em altura, com 1,74 m. Aída dos Santos nasceu no dia 1 de março de 1937, no Rio de Janeiro, mas cresceu no Morro do Arroz, em Niterói.

Na delegação brasileira dos Jogos de Tóquio havia apenas uma mulher. Era Aída: negra, criada na favela e com pouco apoio para crescer no esporte. Superou muitos desafios fora das pistas e desde sua qualificação para chegar ao Japão e obter o melhor resultado de uma mulher na história olímpica brasileira até então. Antes dela, apenas Piedade Coutinho já havia disputado uma final (foi 5ª nos 400 m medley da natação) em Berlim 1936.

Mas demorou para que Aída fosse superada. Na edição de Atlanta 1996, o Brasil foi ouro com Jaqueline e Sandra no vôlei de praia, 32 anos depois de Aída.

E Maurren Maggi ganharia o primeiro ouro feminino individual da história nos Jogos de Pequim-2008 no salto em distância, 44 anos e oito edições olímpicas depois de Aída. Maurren fez história também. Que currículo incrível tem Maurren, nome que recebeu do pai, fã da banda inglesa de rock Os Beatles, o mesmo da primeira mulher de Ringo Starr (Maureen).

Medalha de ouro no salto em distância nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008; medalhas de prata no Mundial Indoor de Valência-2008 e de bronze no Mundial Indoor de Birmingham-2003; tricampeã dos Jogos Pan-Americanos, em Winnipeg-1999, Rio de Janeiro-2007 e Guadalajara-2011 no salto em distância, medalha de prata em Winnipeg-1999 nos 100 m com barreiras.

Conquistou o ouro olímpico com um salto de 7,04 m (22/8/2008), medalha ‘mágica’, obtida por apenas um centímetro de diferença que mudou a sua vida. A marca de 7,04 m veio no primeiro salto dos seis a que tinha direito na prova. E Maurren teve de assistir as adversárias – a russa Tatiana Lebedeva, campeã olímpica em Atenas-2004 e campeã mundial em Osaka-2007, saltou seis vezes, mas só chegou a 7,03 m.

Fabiana Murer é outra precursora. Colocou o salto com vara, uma prova sem tradição no Brasil e  extremamente técnica, no cenário do esporte mundial. Passou dez anos consecutivos entre as dez primeiras do mundo, no topo do Ranking Mundial. Recordista sul-americana (4,87 m), bicampeã mundial (indoor e outdoor) - e quatro vezes medalhista em mundiais -, duas vezes medalhista em Pan-Americanos e bicampeã da Diamond League - desbravou o circuito europeu indo de cidade em cidade, de etapa em etapa, de avião ou carro carregando o seu tubo com dez varas.

Tornou-se a primeira mulher campeã mundial do atletismo brasileiro, em qualquer categoria, no Mundial Indoor de Doha-2010, no Catar (4,80 m). O pioneirismo se repetiu no Mundial de Daegu-2011, com novo ouro inédito em estádio aberto e um salto de 4,85 m. Tem bronze no Mundial Indoor de Valência-2008 (4,70 m) e prata (4,85 m) no Mundial de Pequim-2015.

Juliana Campos, de 29 anos, é a segunda melhor brasileira em todos os tempos no salto com vara - melhorou o seu recorde pessoal cinco vezes na temporada de 2025. Ex-ginasta, chegou a pensar em desistir antes de mudar para a Europa e planejar o ciclo olímpico até Los Angeles-2028.

Recolocou o Brasil em uma final de Mundial após dez anos, seguindo os passos de Fabiana Murer, com quem treinou em São Caetano do Sul. Até o início do ano passado, Juliana tinha 4,60 m como recorde pessoal, marca obtida em 2023. Terminou a temporada com 4,76 m – com o resultado, terminou o ano de 2025 como a 8ª melhor saltadora do ranking mundial.

"Muita gente conhece a minha história de altos e baixos e estou feliz de não ter desistido de mim. Estou orgulhosa de ter terminado o ano como finalista do Mundial de Tóquio, ter atingido a marca de 4,76 m, ser a oitava do mundo, coisas que eu sempre sonhei mas que a gente custa a acreditar que é verdade", disse Juliana, quando recebeu o prêmio Prêmio Melhor do Ano do Atletismo, em janeiro, no naipe feminino.

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