Velejador desiste de ouro para salvar rivais

Lemieux, 25 anos após o resgate histórico / Foto: Gareth PhillipsLemieux, 25 anos após o resgate histórico / Foto: Gareth Phillips

Rio de Janeiro - Seguindo o Top 10 de momentos olímpicos incríveis lançado pelo Esporte Alternativo, trazemos nesta segunda-feira um fato improvável de acontecer, sem precedentes na história olímpica moderna, ocorrido nos Jogos de Seul, na Coreia do Sul, em 1988. 

Mas, para contar essa história, é preciso voltar alguns meses antes, quando um velejador já não tão novato garantia sua vaga na segunda Olimpíada seguida. Após representar o Canadá na classe star em Los Angeles 1984, Lawrence Lemieux mudaria de categoria para tentar um bom resultado olímpico, dessa vez na classe finn. 

Na manhã do dia 24 de setembro as águas de Pusan, onde foram disputadas as provas da vela em 1988, aparentavam estar calmas e de que assim continuariam ao longo do dia. Não à toa, as primeiras quatro corridas foram tranquilas, lideradas pelo espanhol José Luis Doreste, da Espanha, e Peter Holmberg, das Ilhas Virgens. Lemieux não se destava até então. 

A virada de mesa viria na quinta corridada classe finn, quando o vento aumentou consideravelmente e o mar ficou violento. Brigando contra as condições meteorológicas, Lemieux demonstrou seu talento e marcava um tempo que certamente o colocaria para pelo menos uma medalha de prata. Ou seja, brigava pelo título. 

O que o velejador canadense não sabia é que, alguns minutos antes, uma dupla de colegas de Cingapura, competindo na classe 470, tiveram seu barco afundado e que isso mudaria sua trajetória olímpica para sempre.

Ao passar com seu barco pelas fortes ondas que viraram o barco de Shaw Her Siew e Joseph Chan, Lemieux não pensou duas vezes e abandonou sua disputa. Os cingapurianos estava em mar aberto e um deles, Chan, estava distante 20 metros da embarcação. 

Lawrence Lemieux / Foto: Seul 1988 / DivulgaçãoLawrence Lemieux / Foto: Seul 1988 / Divulgação

Como um verdadeiro herói olímpico, Lemieux virou o barco dos dois velejadores e foi em direção a Chan, que estava muito ferido para subir na sua embarcação. O canadense empurrou ele até dentro da proa, depois voltou e resgatou também Siew. 

Lemieux ainda comandou o barco contra o vento até que avistasse uma equipe da marinha coreana que buscava resgatar o barco de Cingapura. 

Ao voltar e completar a prova, o herói canadense já havia certamente perdido sua boa colocação conquistada anteriormente. Lemieux terminou a prova na 22ª colocação, dentre 22 embarcações. 

O emocionante reconhecimento - Mesmo chegando em último, era visível que o canadense estava apto a conquistar uma medalha e o ato heróico apenas endossou isso, mostrando que o espírito olímpico de Lemieux merecia ser premiado. 

Assim, na cerimônia de premiação, o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Saramach, deu ao velejador a Medalha Pierre de Coubertin, devido aos valores de "autosacrifício, espírito esportivo e coragem", personificando o ideal olímpico. 

O júri da prova, ainda, concordou em conceder a Lemieux a segunda colocação, e ninguém discordou. Posteriormente, em outra cerimônia nos Estados Unidos, ele confessou que o ocorrido deu a ele muito mais que um título olímpico, tendo seu ato comovido o mundo todo. "Eu não ganhei uma medalha de ouro, mas eu certamente tive muita atenção", disse. 

25 anos depois - Em 2012, durante uma entrevista para o jornal americano Financial Time, Lemieux refletiu sobre sua carreira, 25 anos após o ocorrido em Seul 1988. "Você passa a vida inteira trabalhando muito internacionalmente e consegue poucos elogios da mídia. Então aí está a ironia: 25 anos após o resgate, nós ainda estamos falando disso", concluiu. 

 

Confira as imagens do feito heróico de Lemieux durante os Jogos Olímpicos de 1988: 

 

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