São Paulo - O currículo construído em Jogos Olímpicos não foi suficiente para garantir sucesso nas urnas para a maioria dos atletas e ex-atletas que disputaram as eleições de 2026. Entre seis nomes diretamente ligados ao esporte olímpico acompanhados pelo Esporte Alternativo, apenas o ex-nadador Luiz Lima conseguiu se reeleger. Campeões olímpicos como Sarah Menezes e Maurício Souza, além da medalhista Leila Barros, ficaram sem mandato.
Do judô ao vôlei, passando pela natação e pelo atletismo, os candidatos chegaram às eleições com trajetórias de destaque no esporte brasileiro. Nas urnas, porém, encontraram cenários bastante diferentes daqueles vividos em competições internacionais.
O principal resultado positivo entre os nomes olímpicos foi o de Luiz Lima. O ex-nadador foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro pelo Novo, com 79.243 votos.
Lima representou o Brasil em Jogos Olímpicos e teve destaque principalmente nas provas de fundo. Na política, já exercia mandato na Câmara dos Deputados e conseguiu assegurar mais quatro anos em Brasília. O resultado fez dele a exceção entre os principais atletas olímpicos que entraram na disputa eleitoral de 2026.
Maurício do Vôlei perde mandato na Câmara - Campeão olímpico com a seleção brasileira masculina na Rio-2016, Maurício Souza tentou permanecer na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu a reeleição por Minas Gerais.
O ex-central concorreu pelo PL com o número 2210 e recebeu pouco mais de 16 mil votos.
Mesmo com o PL conquistando um número expressivo de cadeiras na bancada mineira, a votação individual de Maurício não foi suficiente para colocá-lo entre os candidatos eleitos pela legenda.
Maurício havia sido eleito deputado federal em 2022 e atualmente exerce mandato até o fim da atual legislatura. A Câmara o registra como deputado federal pelo PL de Minas Gerais no período 2023-2027.
Sarah Menezes não consegue vaga pelo Piauí - Outro ouro olímpico que ficou pelo caminho foi Sarah Menezes. Campeã dos Jogos de Londres-2012, a ex-judoca disputou uma vaga de deputada federal pelo MDB do Piauí e recebeu pouco mais de 10 mil votos, número insuficiente para conquistar uma cadeira.
Sarah foi a primeira mulher brasileira a conquistar um ouro olímpico no judô e entrou na eleição com o número 1516. O registro eleitoral aponta sua ocupação como atleta profissional e técnica em desportos. A ex-judoca terminou sua primeira tentativa de chegar à Câmara dos Deputados como não eleita.
Leila do Vôlei termina em terceiro e deixa o Senado - No Distrito Federal, Leila Barros enfrentou uma disputa de peso por uma das duas vagas disponíveis ao Senado.
Medalhista de bronze com a seleção brasileira feminina de vôlei em Atlanta-1996 e Sydney-2000, Leila recebeu 686.340 votos, equivalentes a 21,25% dos votos válidos, mas terminou fora das duas primeiras colocações.
As vagas ficaram com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Leila terminou em terceiro lugar e, com isso, não conseguiu renovar o mandato conquistado em 2018.
A derrota da ex-jogadora foi uma das mais significativas entre os candidatos ligados ao esporte nesta eleição. Levantamentos publicados ainda durante a apuração já apontavam Leila fora das duas vagas em disputa.
Altobeli recebe 5.192 votos e fica fora da Alesp - O atletismo também teve representantes nas urnas. Especialista nos 3.000 metros com obstáculos, Altobeli Santos da Silva disputou uma vaga de deputado estadual em São Paulo pelo União Brasil.
Altobeli terminou a eleição com 5.192 votos e não conseguiu chegar à Assembleia Legislativa de São Paulo. O atleta concorreu com o número 44023. Seu registro eleitoral informa como ocupação “atleta profissional e técnico em desportos”.
Nelson Ferreira passa longe das vagas ao Senado - Em Mato Grosso, o ex-atleta olímpico do salto em distância Nelson Ferreira Júnior teve uma das menores votações entre os nomes do esporte.
Candidato ao Senado pelo Agir, com o nome de urna Professor Nelson Ferreira, ele recebeu 5.563 votos, correspondentes a 0,16%, e não foi eleito. Nelson representou o Brasil no salto em distância em Atlanta-1996 e Sydney-2000. Na política, disputou uma das duas vagas destinadas ao estado.
Os eleitos foram Mauro Mendes e José Medeiros. Nelson terminou na parte de baixo da classificação da disputa ao Senado. O resultado publicado após a apuração registrou votação praticamente idêntica à exibida pelo TSE, com cerca de 5,5 mil votos.
Das medalhas aos votos - O balanço das urnas foi duro para os principais nomes provenientes do esporte olímpico. Dos seis candidatos acompanhados, apenas Luiz Lima conseguiu se eleger. Sarah Menezes e Maurício Souza, ambos campeões olímpicos, ficaram sem cadeira na Câmara. Leila Barros não renovou o mandato no Senado. Altobeli Silva ficou fora da Assembleia Legislativa paulista, enquanto Nelson Ferreira teve participação pouco expressiva na corrida ao Senado de Mato Grosso.
Os resultados mostram novamente que popularidade e conquistas esportivas não se transformam automaticamente em força eleitoral. No caso das eleições proporcionais, além da votação individual, entram na conta o desempenho do partido ou da federação e a distribuição das vagas.
Para alguns dos maiores nomes do esporte brasileiro nas urnas de 2026, o domingo terminou bem diferente de uma final olímpica: sem lugar no pódio político.






