São Paulo - O Brasil terminou o Mundial de Flag Football da IFAF 2026, em Düsseldorf, na Alemanha, sem conquistar uma das vagas olímpicas distribuídas diretamente pela competição. Apesar de encerrar o torneio sem vitórias em campo, a campanha foi mais equilibrada do que a tabela final pode sugerir, pois 7 dos 10 jogos disputados terminaram com diferença de 16 pontos ou menos.
O objetivo agora é transformar os sinais de competitividade observados em vitórias nas próximas competições no ciclo olímpico, como comenta a presidente da CBFA, Cristiane Kajiwara:
“Em 2025, 101 seleções participaram dos quatro campeonatos continentais da IFAF. O Mundial de Düsseldorf reuniu apenas 16 seleções femininas e 16 masculinas, formando a elite mundial da modalidade. O Brasil já está entre essas 16 melhores seleções do mundo. Mas estar entre os 16 não é o nosso ponto de chegada. É o nosso ponto de partida para o próximo ciclo”.
O Mundial, realizado entre 13 e 16 de agosto, foi a primeira etapa do sistema oficial de classificação para a estreia do Flag Football nos Jogos Olímpicos. Os Estados Unidos, país-sede, já têm vaga garantida nos torneios masculino e feminino. A Seleção Brasileira masculina terminou na 14ª colocação, melhor resultado da história do país em Mundiais da modalidade, enquanto a equipe feminina ficou em 15º lugar.
O desempenho também ganha contexto porque o Mundial reuniu as principais seleções da modalidade em um momento decisivo antes da estreia olímpica do Flag Football. O resultado ajuda a dimensionar o atual nível de competitividade internacional e o tamanho do desafio brasileiro no ciclo rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Masculino alcança melhor colocação brasileira em Mundiais - O Brasil disputou a primeira fase no Grupo C, ao lado de Suíça (top 6), México (top 3) e Alemanha (top 11). Na estreia, perdeu para a Suíça por 52 a 19. Na 2ª rodada, foi derrotado pelo México por 38 a 26 e, no terceiro jogo, pela Alemanha por 28 a 12.
Fora da disputa principal pelo título, a equipe passou ao bracket de ranqueamento entre o 9º e o 16º lugares. Na sequência, perdeu para a França (top 5) por 41 a 25, venceu a Nigéria por W.O. e encerrou sua campanha com derrota para a Grã-Bretanha (top 12) por 33 a 26, terminando na 14ª colocação.
O resultado ganha peso porque o Brasil chegou a Düsseldorf ocupando a 17ª posição do ranking mundial da IFAF e conseguiu pontuar em todos os jogos disputados em campo. Contra o México, por exemplo, chegou a estar à frente do placar em dois momentos.
“O Brasil não entrou no Mundial por convite. As duas seleções precisaram conquistar a vaga no Continental das Américas, e ambas terminaram em 5º lugar, garantindo a classificação para Düsseldorf. O Brasil já chegou à elite mundial. Agora, precisamos trabalhar para permanecer nela e avançar”, afirma a presidente.
Depois da derrota mais ampla contra a Suíça, os quatro jogos seguintes terminaram com diferenças de 13, 16, 16 e 7 pontos.
Seleção feminina termina em 15º lugar - A campanha feminina apresentou movimento semelhante. Contra Japão (top 5) e Canadá (top 4), o Brasil sofreu derrotas por 32 a 0 e 36 a 6. Na sequência, as brasileiras protagonizaram partidas mais equilibradas: perderam por 12 a 6 para o Panamá (top 12), por 35 a 27 para a China (top 18) e por 40 a 26 para a Eslovênia (top 33). Foram, portanto, três partidas femininas decididas por 6, 8 e 14 pontos.
Novo caminho para o Brasil rumo aos Jogos Olímpicos de LA 2028
O caminho brasileiro rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 segue vivo. O próximo grande objetivo será o Campeonato Continental da IFAF de 2027, que abre a próxima etapa da corrida pelas vagas olímpicas.
Segundo o sistema oficial de classificação, as duas melhores equipes de cada continente entre aquelas ainda não classificadas avançarão para a Olympic Qualifier Series (OQS). O torneio, previsto para 2028, distribuirá as três últimas vagas olímpicas em cada gênero.
Na prática, este será o roteiro do Brasil para tentar chegar à primeira edição olímpica do Flag Football: Mundial 2026 → Campeonato Continental 2027 → Olympic Qualifier Series 2028 → Los Angeles 2028.
“Ainda existe uma distância importante entre o Brasil e as principais potências mundiais. E é justamente essa distância que precisamos transformar em planejamento, investimento, desenvolvimento técnico e competições internacionais. O Mundial mostrou onde estamos. Agora, precisamos transformar esse diagnóstico em trabalho”, finaliza Cristiane Kajiwara.
Para o Brasil Onças, a mensagem deixada pelo Mundial é clara: há aspectos a melhorar, principalmente na capacidade de transformar jogos equilibrados em resultados positivos, mas também existem indicadores concretos sobre os quais construir o ciclo.
Resultado das seleções brasileiras
Masculino
Suíça 52 x 19 Brasil
México 38 x 25 Brasil
Alemanha 28 x 12 Brasil
França 41 x 25 Brasil
Brasil x Nigéria — W.O.
Grã-Bretanha 33 x 26 Brasil
14º lugar
Feminino
Japão 32 x 0 Brasil
Canadá 36 x 6 Brasil
Panamá 12 x 6 Brasil
China 35 x 27 Brasil
Eslovênia 40 x 26 Brasil
Brasil x Nigéria — W.O.
15º lugar






