
- Eu vou tentar tudo o que a Jamaica nunca conseguiu antes. A Jamaica nunca teve uma medalha mundial na piscina longa. Se eu conseguir fazer isso de novo, será fantástico. Esse é o meu objetivo. Mas uma coisa que eu aprendi nesses meus 26 anos é que não se deve criar muita expectativa, porque qualquer coisa pode acontecer – disse Alia, que avançou para as semifinais dos 100m peito nesta segunda-feira.
Das 67 medalhas conquistas pela Jamaica em Olimpíadas apenas uma não foi do atletismo. Em 1980, em Moscou, David Weller fez história ao levar o bronze na prova de ciclismo de 1km contra o relógio.
Escolher uma rota diferente requer disposição e determinação. Características que nunca faltaram a Alia. O início no esporte foi de forma despretensiosa, em sua cidade natal, St. Andrew. Os pais Tweedsmuir e Sharon não queriam que os filhos seguissem o padrão da maioria dos jamaicanos, que não sabem nadar, e os colocou em uma escolinha de natação ainda crianças. Alia, que até chegou a correr na escola, acabou tomando gosto pelas piscinas e logo mostrou ter talento. O suficiente para mudar sua vida por completo. De família humilde, sofreu com a falta de apoio no início da carreira e trocou a Jamaica pelos Estados Unidos, aos 11 anos, em busca de melhores condições para construir a carreira de nadadora.
- Cerca de 75% dos jamaicanos não sabem nadar e nós somos uma ilha. Espero que esse número caia. Aprendi aos oito anos e isso me ajudou. Meus pais sempre acharam importante nos ensinar, porque se qualquer coisa acontecesse, conseguiríamos chegar do outro lado - explicou Alia, que está animada para os Jogos do Rio de Janeiro, onde disputou em 2007 os Jogos Pan-Americanos e se apaixonou.
A jamaicana de sorriso fácil e fala acelerada precisou ir ao Catar para colocar a Jamaica no mapa da natação mundial. E não só isso. Foi também no Mundial de piscina curta de Doha 2014 que Alia quebrou paradigmas ao torna-se a primeira negra campeã mundial da modalidade praticada predominantemente por brancos. A façanha nos 100m peito, que veio acompanhada do recorde mundial, mudou de vez a vida da ousada nadadora. Agora, ela espera que suas conquistas inspirem as novas gerações.
A Jamaica já conhecia Alia Atkinson, mas, depois de Doha, a jovem nadadora virou uma celebridade no país. Ao lado de Usain Bolt, foi eleita a melhor atleta do ano 2014 e, recentemente, viu a história de sua vida ser documentada em um filme. “Alia, Darling of The Pool” foi lançado no mês passado, no Festival de Cinema da Jamaica.
Após a prata nos 100m peito nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, há duas semanas, Alia encara um novo desafio no Mundial de esportes aquáticos de Kazan, esta semana. Depois do ouro inédito no Mundial disputado em piscina curta, em 2014, a jamaicana terá a chance de repetir o feito na tradicional piscina olímpica, na Rússia. Nas eliminatórias dos 100m peito, nesta segunda-feira, ela deu o primeiro passo ao se classificar para as semifinais com o oitavo tempo (1m07s09). Mais tarde, a partir das 11h (horário de Brasília), ela estará na briga por uma vaga na final.






