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Gordinho da Etiópia termina 10 seg atrás do penúltimo / Foto: Al Bello/Getty Images

Rio de Janeiro - Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro ainda estão no início, mas podemos dizer que o grande herói da edição brasileira das olimpíadas já tem nome e sobrenome: Robel Kiros Habte. O etíope fez história ao terminar sua bateria na fase de classificação dos 100 metros rasos mais de 10 segundos depois que seus oponentes.  
Rober Kiros, visivelmente acima do peso, era apenas mais um dos milhares atletas desconhecidos que chegam e vão embora dos Jogos Olímpicos sem deixar qualquer tipo de lembrança na maioria dos bilhões de telespectadores espalhados pelo mundo. Mas na manhã desta terça-feira, a performance e o peso do etíope chamaram a atenção do mundo. 
 
Como nadava a convite do Comitê Olímpico Internacional, o nadador africano nem tinha tempo computado para ser mostrado ao público durante a apresentação formal que normalmente acontece nos Jogos Olímpicos. Com pose séria, Robel Kiros Habte caiu na água e por pouco não se afogou. Com a largada, ele foi ficando para trás na sua bateria, que tinha a companhia de um marfinense e um dominicano. Quando ele completou a prova a torcida que estava no estádio aquático aplaudia e gritava de pé. Ele terminou a prova cansado, com a marca de 1 minuto 04 segundos e 95 centésimos, mais de 15 segundos atrás do australiano Kyle Chalmers (47.90), que garantiu o melhor tempo da fase de classificação.  
 
Por alguns instantes o gordinho da etiópia lembrou outro africano, o nadador Eric Moussanbani, que encantou o mundo ao nadar sozinho em Sydney em 2000. É verdade que o nadador de Guiné Equatorial foi bem pior, completando a mesma distância em 1 minuto 52 segundos e 72 centésimos. 
 
No final da prova, Robel Kiros Habte tentou justicar o resultado: " Não foi meu tempo hoje. Costumo fazer a prova em 59s, mas nadei 1min04 hoje. Não sei dizer por quê. Acho que a Olimpíada é o sonho de todos os atletas. É assim para mim. Eu treinei em Milão há dois ou três anos. Competi muito por lá, e isso ajuda a explicar a evolução".
 
A justificativa do etíope faz sentido.  "Sou o único nadador profissional da Etiópia. Somos um país de corrida - as pessoas crescem e só pensam em correr. Temos outros nadadores, mas apenas eu sou profissional. Gosto da natação, mas o que eu queria era ser diferente", contou Robel Kiros. 
 
O recorde mundial dos 100 metros nado livre pertence ao campeão olímpico Cesar Cielo, que não conseguiu se classificar para a Rio 2016. O brasileiro conquistou o recorde em 2009, durante o Campeonato Mundial de Natação, disputado em Roma, na Itália. O maior medalhista em jogos olímpicos da natação brasileira completou a prova em apenas 46 segundos e 91 centésimos. 
 
 
 
 
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