São Paulo - Waldo Hoffmann, um dos nomes mais importantes da história do rugby brasileiro, morreu nesta quinta-feira, aos 73 anos. Médico psiquiatra, ele construiu uma trajetória marcante dentro e fora de campo e teve papel relevante na consolidação da modalidade no país.
Hoffmann defendeu a Seleção Brasileira nas edições de 1973, 1975, 1977 e 1979, somando 13 partidas oficiais. Na época, tornou-se o atleta com mais jogos pela equipe nacional, marca que só seria superada décadas depois, já nos anos 2000, quando o Brasil passou a disputar um número maior de partidas internacionais.
No rugby de clubes, teve forte ligação com a Medicina USP, equipe que conquistou os títulos brasileiros de 1973 e 1981 e os campeonatos paulistas de 1979 e 1981. Hoffmann também vestiu a camisa do SPAC e seguiu ligado ao esporte mesmo após encerrar a carreira competitiva, participando de torneios de veteranos.
Ao relembrar sua passagem pela seleção, Hoffmann costumava destacar o período de transição do rugby brasileiro, ainda muito influenciado por atletas ingleses e descendentes de britânicos.
“Participei das seleções brasileiras de 1973, 1975, 1977 e 1979. No começo, os melhores jogadores do Brasil ainda eram os ingleses ou seus descendentes”, recordou em um depoimento sobre sua trajetória.
Ele também citava nomes como Alan Bath, Bobby Smith, Johnny Bennett, Eddie Bennett, Paul Bishop, Ronnie Bishop e Jimmy Semple entre os jogadores com quem aprendeu durante aquele período. Segundo Hoffmann, eram poucos os brasileiros natos presentes nas principais equipes da época.
Capitão da equipe da Medicina em parte de sua trajetória, Hoffmann valorizava especialmente os vínculos criados pelo esporte. Em seus relatos, costumava citar companheiros de diferentes gerações e definir o rugby como uma experiência marcada por amizade, pertencimento e espírito coletivo.
Anos depois, continuou próximo da modalidade por meio de jogadores mais jovens e de projetos ligados a escolas e clubes tradicionais de São Paulo.
Em um de seus últimos relatos sobre o rugby, Hoffmann recorreu a versos de Lord Alfred Tennyson para resumir a relação construída com o esporte ao longo da vida, destacando valores como união, perseverança e resistência.
A morte de Waldo Hoffmann encerra a trajetória de um personagem que atravessou diferentes fases do rugby brasileiro e ajudou a construir parte da história da modalidade no país.






