Rio de Janeiro - Os atletas que competirão nas águas do Rio, em 2016, terão uma preocupação talvez ainda maior que derrotar seus adversários. Uma investigação da Associated Press (AP) aponta que o excesso de fezes humanas no local põe os atletas em risco. A possibilidade de contraírem doenças existe e foi concluída a partir de uma análise das águas da Marina da Glória, da Lagoa Rodrigo de Freitas e das praias de Copacabana e Ipanema.
Foram encontrados no estudo níveis alarmantes de vírus e bactérias de esgoto humano em locais que receberão as provas Olímpicas e Paralímpicas. "Esta é de longe a pior qualidade da água que já vimos em nossas carreiras na vela", afirmou Ivan Bulaja, treinador do time austríaco, após meses de treinamento na Baía de Guanabara.
A preocupação é válida porque, caso um atleta contraia alguma doença, ou mesmo uma diarreia forte, o sonho olímpico pode ficar ainda mais distante, já que impossibilitaria ele de competir. "Tenho a certeza que, se você nadar nessa água e ela entrar em sua boca ou nariz, um monte de coisas ruins estarão entrando em seu corpo", emendou.
A execução dos resíduos no Rio é feita por meio de valas a céu aberto, direcionadas para fluxos fétidos e rios que alimentam locais em que ocorrerão as Olimpíadas. A Baía de Guanabara receberá as provas de vela, enquanto a Lagoa Rodrigo de Freitas, as do remo e da canoagem. Além disso, a praia de Copacabana deverá receber a maratona aquática.
O teste da AP durou mais de cinco meses e não foi capaz de encontrar um lugar adequado para a prática da natação ou mergulho, por exemplo. "O que você tem aí é basicamente esgoto bruto", concluiu John Griffith, biólogo marinho de um projeto de pesquisa no Sul da Califórnia, EUA.
Outro ponto a se destacar é que os cariocas, que acabam expostos a estes vírus e bactérias desde a infância, construímos imunidade, ou seja, a chance de contrair doenças é quase nula. Os atletas e turistas estrangeiros, por sua vez, correm o risco por não estarem acostumados a este ambiente hostil.
A previsão é de que, dos 10 mil atletas que virão para os Jogos de 2016, pelo menos 1300 delas acabarão entrando em contato com a água poluída. Antes disso, ainda, alguns deles cairão nas águas nos próximos meses, para os eventos-teste antes dos Jogos Olímpicos.