Rio de Janeiro - O Campeonato Pan-Americano de Ginástica Rítmica do Rio de Janeiro, que chegou ao final neste domingo (7), entra desde já para a história. Além de o Brasil ter dado show dentro de quadra, sendo recompensado com a conquista de várias medalhas, também obteve vagas importantíssimas para o Campeonato Mundial de Frankfurt, que será disputado de 12 a 16 de agosto.
No conjunto, desempenho praticamente irrepreensível: neste domingo, o Brasil não apenas conquistou as medalhas de ouro nas séries simples e mista, mas também melhorou as notas que já haviam sido ótimas na fase classificatória. Na de cinco bolas, a nota foi de 28.850 para 29.250. Na de três arcos e dois pares de maças, evoluiu de 28.600 para 28.900. Com isso, o Brasil deixou para trás a Espanha, que havia registrado 28.800 nessa série, no Campeonato Europeu. Na Arena Carioca 1, o conjunto verde-amarelo é formado por Maria Eduarda Arakaki, Nicole Pírcio, Julia Kurunczi, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves e Sofia Madeira.
Nas cinco bolas, também subiram ao pódio EUA (26.650) e México (25.550). Já na série mista, essas duas nações medalharam também, mas na ordem inversa: México (26.600) e EUA (25.800).
Camila Ferezin, a treinadora do conjunto, afirmou que o Brasil está em um bom caminho na preparação que visa ao Mundial, que é classificatório para os Jogos Olímpicos. “As meninas conseguiram mostrar dentro de quadra todas as adaptações, as mudanças que a gente fez nas coreografias. A gente aumentou bastante a nossa nota de dificuldade e aqui deu pra ver essa constância. Não apresentamos nenhum erro grave nas quatro apresentações e isso nos dá ainda mais confiança. Nossas notas aumentaram bastante”.
No individual, as brasileiras somaram muitas conquistas. Nas maças, Bárbara Domingos, com uma nota excepcional (29.000), obteve o ouro, e formou uma dobradinha que emocionou o público com Maria Eduarda Alexandre, que se recuperou depois de uma classificatória não tão boa. Prata com nota 28.600. A norte-americana Megan Chu (28.100) completou o pódio.
No arco, a carismática Geovanna Santos brilhou mais, e conseguiu o primeiro lugar (28.950). Babi Domingos completou a dobradinha verde-amarela nesse aparelho (28.600), Chu, dos EUA, voltou a ficar com o bronze.
Chu levou a melhor na bola e conquistou o ouro (27.500). Maria Alexandre (26.700) ficou com a prata, enquanto Babi (26.600) garantiu o bronze, completando um pódio de alto nível.
Na fita, Geovanna também foi a protagonista (28.400). Megan Chu, a estrangeira que subiu ao pódio nos quatro aparelhos, foi a vice-campeã desta vez (28.350), bem perto de Jojô. Babi também foi ao pódio (28.250).
Aos 26 anos, já com longa quilometragem na carreira, Babi acredita ter lidado bem com os desafios que fizeram parte de sua participação no Pan de GR deste ano.
“Tinha uma responsabilidade aqui, porque era a única ginasta do Brasil competindo nos quatro aparelhos. Competindo em casa, mais do que nunca queria performar bem, queria conquistar mais medalha sobretudo no individual geral, então saio satisfeita da competição”, declarou a curitibana. “É bastante desgastante competir os quatro aparelhos no mesmo dia, mas a gente precisa saber dosar tudo. Não só o físico, mas também a cabeça, que nessas horas faz muita diferença. Com o tempo, a experiência e a maturidade ajudam a lidar melhor com esse tipo de situação”, acrescentou.
Jojô vai voltar para o Espírito Santo com um valioso carregamento de medalhas, sendo duas as de ouro garimpadas neste domingo. Antes, havia sido campeã por equipes ao lado de Babi e de Maria. “Recebi a missão de competir em dois aparelhos. Missão dada, missão cumprida, 100% de aproveitamento, e eu estou muito feliz. Acima de tudo, muito feliz por mim e pela minha treinadora Gisela Batista, e por todo mundo que está por trás de todo esse trabalho”.
A campeã pan-americana no arco e na fita falou também sobre o respeito conquistado pelas ginastas brasileiras. “O Brasil, hoje em dia, é visto com outros olhos. A gente já entra em quadra com o peso de um país que é vice-campeão mundial no conjunto, medalhista em várias etapas de Copa do Mundo. Então a gente já entra chegando, é o Brasil que tá entrando, já bota moral, né? Estamos muito felizes por termos conquistado isso, de estarmos escrevendo essa história linda pro Brasil. A gente quer crescer mais e mais, evoluir mais e mais, continuar escrevendo vários feitos históricos pra nossa nação”.
Maria Eduarda, que também deixa o Rio com três medalhas, afirmou que ficou satisfeita com o desempenho exibido neste domingo. “Hoje consegui fazer bem as minhas séries. Consegui colocar um pouquinho mais de sentimento, um pouquinho mais de presença. Eu me senti feliz fazendo. O dia de ontem (sábado) serviu de aprendizado para a gente conseguir colocar mais atenção em certos pontos”.
Vagas para o Mundial da Alemanha - Os quatro países (Brasil, EUA, México e Canadá) com as melhores notas conquistaram o direito de enviar, para Frankfurt, duas ou três ginastas. No total, o conjunto de representantes de cada uma dessas nações, sejam duas ou três, terá direito a executar oito séries. Os 16 demais países poderão enviar uma ginasta cada um. Essa atleta terá o direito, é claro, de fazer as quatro séries. Não houve atribuição de vagas para o Mundial aos conjuntos.
Vagas para os Jogos Pan-Americanos de Lima-2027 - O Pan do Rio também classificou para os Jogos Pan-Americanos, competição poliesportiva que será realizada na capital peruana no próximo ano. Os países que obtiveram as seis primeiras colocações por equipes na GR Individual conquistaram duas vagas cada um. O Brasil, ouro nessa disputa, terá direito a enviar duas atletas.
As quatro melhores ginastas no individual geral do Pan do Rio que não defenderam nenhum desses seis países também asseguraram vaga em Lima. O Peru, por ser anfitrião, estava previamente garantido.
A norte-americana Natalie De La Rosa assegurou vaga nominal por ter conquistado o ouro nos Jogos Pan-Americanos Júnior, a exemplo do que fizera Maria Eduarda, que se classificara para os Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023 pelo mesmo caminho.
Os seis primeiros conjuntos na classificação geral também garantiram vaga. Trata-se de Brasil, EUA, México, Canadá, Chile e Venezuela. O Peru, nesse caso, assegurou a vaga de anfitrião.






