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Avaliação médica e treinos com educador físico para correr em segurança / Foto: Luiz Doro/adorofoto

São Paulo  - A corrida traz benefícios comprovados para a saúde física e mental. Mas praticar a atividade sem uma devida avaliação médica prévia pode submeter o atleta a riscos cardiovasculares, algo evidenciado nas recentes mortes por infarto durante as corridas.

  Apaixonada pela modalidade, Morgana Dalpiaz, Educadora Física com mestrado em Reabilitação e Inclusão, realizou uma pesquisa para avaliar a recuperação da frequência cardíaca após provas de longa distância (10km) como a etapa de Porto Alegre do Brazil Run Series/Circuito CAIXA, de volta à capital gaúcha neste domingo (30).

"A verificação da Recuperação da Frequência Cardíaca (RecFC) pode trazer informações sobre o comportamento das adaptações do sistema nervoso autônomo do indivíduo em resposta ao exercício físico, apontando fatores de risco para doenças cardíacas", explica Morgana Dalpiaz. "Decidi realizar essa pesquisa devido ao grande número de pessoas que vêm aderindo à prática da corrida, muitas delas sem verificar previamente se está apto ou não a correr."
 
A pesquisa, feita sob orientação da Drª Maristela Padilha como tese de mestrado para o Centro Universitário Metodista - IPA, avaliou a recuperação da frequência cardíaca e sua associação com fatores de risco cardiovascular, como obesidade, hipertensão e dislipidemia e estresse. Participaram do estudo, 25 homens com idade entre 40 e 66 anos, participantes habituais de corridas de rua. 
 
Durante o estudo, os homens eram avaliados ao término das corridas, com frequencímetro, após o primeiro minuto de recuperação da frequência cardíaca. A composição corporal, com dados como circunferência abdominal e relação cintura/quadril, o perfil lipídico, o histórico familiar e hábitos como tabagismo foram considerados na avaliação dos fatores de risco.
 
"Não encontramos uma associação entre a RecFC e fatores de risco cardíaco. Por outro lado, o estudo apontou uma associação positiva entre a duração do treinamento dos corredores avaliados e a RecFC", diz Morgana. "A elaboração e acompanhamento dos treinos por um educador físico, assim como o baixo índice de tabagismo e de histórico familiar favorável a riscos cardiovasculares, contribuíram para esses resultados. Também reforçam a importância da incorporação da prática regular de exercícios físicos na rotina, tanto para promover a saúde como para prevenir o desenvolvimento das doenças cardiovasculares." 
 
Para correr com segurança - A pesquisa, ainda a ser divulgada, também reforça a necessidade de os poderes públicos incentivarem uma avaliação mais rigorosa das reais condições físicas dos participantes de corridas de rua. "Esperamos conscientizar tanto a comunidade acadêmica, para a realização de maiores estudos com esse público, como a população em geral, para a importância de fazer uma avaliação médica prévia adequada, antes de correr", reforça Morgana Dalpiaz. 
 
Na etapa de Porto Alegre do Brazil Run Series/Circuito CAIXA deste domingo (30), uma nova pesquisa será realizada, desta vez focada em atletas idosos. "Nosso grupo de pesquisa do IPA, junto à Professora Maristela Padilha, está desenvolvendo muitos estudos com corredores, com o objetivo de alertar sobre como desfrutar dos benefícios da corrida com segurança", diz Morgana.
 
Realizado desde 2004, o Circuito CAIXA conta com a chancela da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), e passa por quatro das cinco regiões brasileiras. Depois de Uberlândia (30/5), Goiânia (7/6), Salvador (28/6), Campo Grande (12/7), Fortaleza (2/8) e Recife (9/8), a competição vai a Porto Alegre (30/8), Brasília (13/9), Ribeirão Preto (27/9), Curitiba (18/10), Belo Horizonte (15/11) e São Paulo (22/11). As 12 corridas somam pontos para o Ranking CBAt/CAIXA de corredores de rua. Os dez primeiros colocados no ranking, no masculino e no feminino, garantem o patrocínio da CAIXA para 2016.
 
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