Brasília - O financiamento da canoagem no Brasil registrou números expressivos ao longo das últimas duas décadas, com destaque para o volume de recursos em três frentes de investimento. Entre 2002 e 2025, a Confederação Brasileira de Canoagem recebeu um total de R$ 98 milhões em repasses via Lei Agnelo Piva.
Adicionalmente, o esporte captou, aproximadamente, R$ 73 milhões por meio da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) entre 2009 e 2024 , enquanto o programa Bolsa Atleta destinou mais de R$ 70 milhões aos praticantes da modalidade entre 2005 e 2025.
A evolução dos investimentos via Lei Agnelo Piva demonstra uma tendência clara de valorização da canoagem nas políticas públicas esportivas. A partir de 2018 os repasses deram um salto expressivo, atingindo R$ 6 milhões. Esse crescimento contínuo culminou no orçamento de mais de R$ 12,9 milhões em 2025, configurando o maior valor de toda a série histórica analisada pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR).
Por meio da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), foram viabilizados 81 projetos ligados à canoagem. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Inteligência Esportiva, a maior parte desses recursos financeiros, mais de R$ 58 milhões, está concentrada em projetos de atividades regulares; na sequência vêm as atividades esportivas e os eventos. Esse padrão reforça a priorização de projetos de longo prazo, voltados à formação e à manutenção de atletas e praticantes.
Quando analisadas as manifestações esportivas, há predominância de projetos educacionais (39) e de participação (37) que, juntos, concentram mais de 90% dos investimentos. Já o rendimento, embora conte com apenas cinco projetos, mobiliza valores relevantes, evidenciando um direcionamento estratégico também para o alto desempenho. Regionalmente, os recursos estão concentrados, principalmente, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo que, juntos, respondem por mais de 75% do total investido, seguidos pelo Ceará, Distrito Federal e Paraná. Essa distribuição revela desigualdades regionais no acesso aos recursos incentivados, ainda que haja participação de diferentes unidades federativas.
O programa Bolsa Atleta também reflete a consolidação da base de atletas da canoagem no país ao longo dos anos. Em 2005, o programa contemplava apenas nove atletas com um repasse total de R$ 117 mil. Vinte anos depois, em 2025, esse apoio foi ampliado para 236 atletas, contabilizando R$ 6,1 milhões investidos no ano. Historicamente, a maioria das bolsas concedidas pertence à categoria Nacional (1.079 bolsas ao todo), movimentando mais de R$ 26,6 milhões. Geograficamente, a maior parcela desses beneficiários e recursos acompanha a concentração vista na LIE, com forte presença nas regiões Sudeste e Sul, especialmente nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.
Breve histórico - A canoagem é uma modalidade esportiva que envolve a navegação em embarcações leves, impulsionadas por remos, em diferentes tipos de ambientes aquáticos, como rios, lagos e mares. Trata-se de um esporte bastante versátil, que pode ser praticado tanto de forma recreativa quanto competitiva, abrangendo diversas categorias, como a canoagem de velocidade (em águas calmas), a slalom (em corredeiras) e a oceânica.
Além de exigir preparo físico, especialmente força, resistência e coordenação motora, a canoagem também demanda técnica apurada e leitura do ambiente, sobretudo nas provas em águas rápidas. No contexto esportivo, a modalidade é organizada internacionalmente pela International Canoe Federation e integra o programa dos Jogos Olímpicos, o que contribui para sua visibilidade e desenvolvimento em diversos países.
No Brasil, a canoagem tem ganhado destaque nos últimos anos, com atletas de alto rendimento conquistando resultados expressivos em competições internacionais, o que tem impulsionado o interesse e a prática da modalidade no país.






