Estrela do atletismo é detida na Espanha

Marta Dominguez exibe medalha após vitória em Barcelona 2010. Depois da operação Galgo, atleta foi suspensa até o final das investigações / Foto: DivulgaçãoMarta Dominguez exibe medalha após vitória em Barcelona 2010. Depois da operação Galgo, atleta foi suspensa até o final das investigações / Foto: DivulgaçãoMadrid - Agentes da Guarda Civil – polícia espanhola – revistaram casas de vários atletas, treinadores e médicos durante a “Operação Galgo”, que investiga uma rede de dopagem no atletismo espanhol. Marta Domínguez, campeã mundial dos 3 mil metros obstáculos em 2009 (Berlim), e principal estrela do atletismo espanhol, também foi detida e teve que prestar declarações na polícia.

José Alonso Valero, agente de Marta Domínguez, César Pérez, treinador da esportista, Manuel Pascua Piqueras, um dos técnicos mais respeitados do atletismo espanhol, e o médico Eufemiano Fuentes, denunciado em 2006 na “Operação Puerto”, também foram detidos. As detenções foram ordenadas pelo juiz de instrução de Madrid, que decretou o segredo de justiça no caso.

Considerada a melhor atleta do país em todos os tempos, Marta tem 34 anos e, no mês passado, anunciou sua gravidez - nesta temporada, foi campeã europeia e ganhou a segunda indicação ao Prêmio Príncipe de Astúrias. Assegurou, porém, que estaria de volta às pistas para disputar a Olimpíada de Londres, em 2012, para buscar uma medalha.

Marta foi detida em Palência, sua cidade natal, no hospital em que fazia exames pré-natais. A atleta foi acusada de facilitar o acesso a substâncias proibidas. Em sua casa, foram apreendidos um notebook, uma maleta metálica e uma caixa de papelão. Após depoimento de oito horas, foi liberada.

A operação teve início em abril, quando a polícia espanhola começou a suspeitar de esquema de dopagem. Pessoas envolvidas no esporte estavam distribuindo substâncias proibidas a atletas de alto nível, realizando, até mesmo, o doping sanguíneo, com o auxílio de transfusões.

Essa é a terceira grande ação da polícia espanhola contra o doping. A primeira, a “Operação Puerto”, em Maio de 2006, atingiu principalmente o ciclismo. Nela, foram denunciados Eufemiano Fuentes, o hematologista José Luis Merino Batres e os diretores esportivos Manolo Saiz e Vicente Belda. A polícia espanhola encontrou perto de 200 bolsas de sangue que pertenciam a alguns dos melhores corredores da atualidade como Jan Ullrich , Ivan Basso e Alejandro Valverde.

Em Novembro de 2009, durante a “Operação Grial”, foram detidos o médico Walter Virú e revistada a casa do marchador Paquillo Fernández , que pouco tempo depois reconheceu a posse de substâncias irregulares e colocou-se à disposição da polícia para colaborar. Algumas das suas declarações serviram para colocar em prática a “Operação Galgo”, segundo o jornal espanhol “As”.

Nessa sexta feira, a Real Federação Espanhola de Atletismo decidiu suspender a atleta cautelarmente até que as investigações terminem e sejam ou não comprovadas as denúncias contra a atleta.

Confira a nota divulgada no site da Real Federação Espanhola de Atletismo:  

Debido a los acontecimientos que han tenido lugar en el día de ayer (9 de diciembre de 2010), en relación con una supuesta trama de dopaje en la que te has visto implicada, dado que saliste por la noche de la Comandancia de la Guardia Civil de Palencia en libertad provisional con cargos por tráfico y distribución de productos dopantes, lo cual daña de forma importante la imagen del atletismo español, he decidido suspender cautelarmente tu nombramiento de Vicepresidenta de la Real Federación Española de Atletismo.

Fdo: José María Odriozola Lino
    Presidente de la RFEA