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Aos 99 anos, maratonista ainda corre: “esporte é farmácia”

Frederico Fischer, à esquerda, correndo os 100m em Lyon, na França, aos 98 anos / Foto: Arquivo PessoalFrederico Fischer, à esquerda, correndo os 100m em Lyon, na França, aos 98 anos / Foto: Arquivo Pessoal

Rio de Janeiro – Seu Frederico Fischer concorda com a tese de médicos e professores de educação física, de que a prática esportiva faz bem à saúde e atrasa o envelhecimento. Ele é um exemplo vivo disso. Aos 99 anos, o atleta de Peruíbe, no litoral de São Paulo, ainda corre maratonas – feito que realiza desde 1931.
 
Em uma entrevista para o portal de notícias G1, Frederico comenta o porquê de ter chegado tão longe e tão disposto. Reconhecido como um dos corredores mais experientes do Brasil e do mundo, o atleta dá a dica: não parar nunca.
 
"Manter o corpo sempre em movimento ajuda a ‘lubrificar’ as engrenagens das pernas e braços e deixa os pensamentos mais leves, ajudando a melhorar cada vez mais a qualidade de vida, apesar da idade avançada”, explica o peruibense.
 
Contador aposentado, seu Frederico morou a maior parte da sua vida em São Paulo (capital). Desde criança pratica esportes: quando menino era futebol com os amigos e vela na represa de Santo Amaro. “Gostava de jogar no gol e, de preferência, no time mais fraco, assim podia defender mais”, justifica.
 
Mesmo empenhado no gol, ele acabou se destacando em outros esportes, como atletismo, vela, remo e salto com vara, graças ao bom físico. A primeira medalha veio já em 1938, dois anos depois de ter entrado para o Clube Tietê, em São Paulo, onde conheceria sua esposa, dona Teresa, com quem é casado há 68 anos.
 “As pessoas que tinham mais de 40 anos e faziam exercícios eram consideradas loucas. Eu me sinto mal se eu não correr. O idoso deve fazer exercício. Hoje mudou bastante, mas naquela época quebramos um tabu”, confessa o corredor.
 
Sem rituais muito específicos para o seu dia a dia, seu Frederico diz que gosta de comer arroz com feijão, dormir cedo e ajudar a esposa em casa, além de brincar com os cachorros e, claro, treinar duas vezes por semana na praia.
 
Nem uma dengue no ano passado o impediu de correr uma competição internacional em agosto, em Lyon, na França. “Não estava muito bem. Essa doença me deu uma derrubada. Fiz um tempo de 24 segundos e 89 milésimos em 100 metros. Mas eu competi com um idoso que não era da minha categoria. Ele tem 85 anos e eu tinha 98. São 13 anos de diferença”, explica.
 
Foi até destaque num jornal francês, que deu como manchete: “Aos 98 anos, ele levantou um estádio”. “É claro que eu fiquei feliz. Eu faço esporte desde cedo e ser aplaudido é sempre muito legal. Hoje, é claro, temos escassez de competidores da minha idade, o que é natural. Mas vou ser sincero. Essa fase de preocupação com treinamento já passou. Hoje faço tudo para a manutenção da saúde e competição é consequência”, conta Frederico.
 
Na sua história quase centenária, o maratonista não sabe dizer quantas provas já correu. Anota os principais números e viagens ao longo da vida em um pedaço de papel, que traz o campeonato paulista nos 400m com barreira, ganho em 1945 e o mesmo troféu no decatlo, em 1948.
 
Já na categoria sênior, entre 50 e 80 anos de vida, Frederico foi 5º lugar no arremesso de peso no mundial de Hannover, na Alemanha, e terceiro nos 100m com barreira em Melbourne, na Austrália. Ainda foi vice-campeão nos 400m rasos em Miyasaki, no Japão.
 
O veterano ainda guarda com carinho seus títulos conquistados no 100, 200 e 400 metros, além do arremesso de disco e lançamento de martelo, num campeonato em Porto Rico. “Sem contar os brasileiros e sulamericanos. Já fiz muita coisa. Agora é difícil pensar lá na frente. A idade vai deixando a gente mais cansado. Se der pra correr mais alguma prova, eu corro sim”, conclui satisfeito seu Frederico.
 
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