Scheidt descarta aposentadoria em despedida da vela olímpica

Bicampeão olímpico oficializou nesta terça-feira (17) a decisão de não competir em Tóquio/2020. Porém, confirmou que seguirá competindo em diferentes categorias do iatismo e disposto a encarar novos desafios, como na vela oceânica / Foto: Wander Roberto/Exemplus/COBBicampeão olímpico oficializou nesta terça-feira (17) a decisão de não competir em Tóquio/2020. Porém, confirmou que seguirá competindo em diferentes categorias do iatismo e disposto a encarar novos desafios, como na vela oceânica / Foto: Wander Roberto/Exemplus/COB

São Paulo - Dono de cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro, Robert Scheidt reuniu a imprensa para anunciar oficialmente o fim de sua participação em Jogos Olímpicos.
 
No encontro da manhã desta terça-feira (17), no Yacht Club Santo Amaro, em São Paulo, o iatista explicou as razões para não seguir com o ciclo até Tóquio 2020 na classe 49er, mas deixou claro que não se trata do encerramento de sua carreira como atleta. “Aposentadoria é uma palavra muito forte. Não me vejo de pijamas, sentado no sofá e assistindo TV. Meu instinto competitivo ainda é muito forte e o esporte está no meu sangue. Seguirei velejando em diferentes classes”, explicou o atleta que tem patrocínio do Banco do Brasil e Rolex e apoio do COB e CBVela.
 
Quando fala em diferentes classes, Robert se refere a experimentar novos ares na carreira esportiva. “Sempre recebi convites para competições de vela oceânica e sempre disse não, em função dos projetos olímpicos. Agora poderei dizer sim. Temos grandes eventos, como a Volvo Ocean Race e a America’s Cup, entre outros, e, quem sabe, não surge uma oportunidade. Está se fechando uma porta, mas tenho certeza que muitas outras se abrirão”, comentou o bicampeão olímpico, que não vai esquecer as raízes. “Continuarei nas classes Star, agora mais intensamente em 2018, e Laser, pois preciso da adrenalina do iatismo”, revela. O próximo desafio será justamente na Star Sailors League (SSL), em Nassau, no mês de dezembro, ao lado Henry Boenning, o Maguila.
 
Scheidt tomou a decisão de partir para um novo rumo na carreira de modo consciente e maduro. Mas nem por isso deixa de se emocionar. “Certamente terei saudades. A coisa mais linda que existe é defender seu país, ainda mais nos Jogos Olímpicos. Sei que vou sentir falta de acordar todo dia com aquele objetivo de ganhar uma medalha, pois a Olimpíada é como uma montanha que você escala um pouco a cada dia, até chegar ao topo. Mas seguirei no esporte, tive uma carreira a qual fiz sempre o máximo que podia e não me arrependo de nada. Foram seis olimpíadas, cinco medalhas e muito orgulho por ter defendido o Brasil”.
 
As razões para deixar a 49er estão nos músculos e no coração. “Não é fácil começar do zero, aos 43 anos, em uma categoria que exige muito do físico. Sofri com algumas leões nessa temporada e o período de recuperação não é mais o mesmo. Eu precisaria de muito mais tempo de treino para chegar competitivo em 2020 e, nessa altura da vida, não quero abrir mão da família. Tenho dois filhos pequenos, minhas maiores medalhas, e estar com eles e com minha mulher é muito importante”, esclareceu o iatista de 44 anos, sobre sobre Erik, de oito anos, e Lukas, de quatro, fruto do casamento com a lituana e também velejadora Gintare.
 
Formação de novos iatistas - Além de seguir competindo, Scheidt pretende colaborar na formação das novas gerações de iatistas brasileiros. “Pretendo iniciar clínicas a partir do próximo ano para passar um pouco da minha experiência e conhecimento para a garotada. Apresentei essa ideia para o Banco do Brasil, meu patrocinador, e ela foi muito bem recebida”, revelou o maior medalhista olímpico do país, que completa. “Já atuei como conselheiros de jovens atletas de alto rendimento e foi muito bacana. Tratamos de pressão e como encarar grandes competições e o retorno que recebi foi altamente positivo.”
 
Campeão no esporte e na vida, Robert Scheidt fez questão de demonstrar seu agradecimento às pessoas que fizeram parte de sua carreira no iatismo. “A vela olímpica pode ser um esporte individual ou em duplas, mas ninguém se faz sozinho. Agradeço demais a todo apoio que recebi ao longos desses anos, especialmente dos meus pais, toda a minha família, esposa, amigos, treinadores, colegas, enfim, todo mundo que, de um jeito ou de outro, fez parte dessa história”.
 
Robert Scheidt tem duas medalhas de ouro olímpicas (Atlanta/96 e Atenas/2004)e uma prata (Sidney/2000) na classe Laser, mais uma prata e um bronze na Star (Pequim/2008 e Londres/2012). Ao todo, são 11 títulos mundiais na Laser e três na Star. Na Rio/2106, terminou na quarta colocação. Scheidt tem patrocínio do Banco do Brasil e Rolex e apoio do COB e CBVela.
 
Maior atleta olímpico brasileiro
 
Cinco medalhas:
Ouro : Atlanta/96 e Atenas/2004 (ambas na classe Laser)
Prata : Sidney/2000 (Laser) e Pequim/2008 (Star)
Bronze : Londres/2012 (Star) 
 
176 títulos - 86 internacionais e 90 nacionais, incluindo a Semana Internacional do Rio, o Campeonato Brasileiro de Laser e a etapa de Miami da Copa do Mundo, todos em 2016
 
Laser
- Onze títulos mundiais - 1991 (juvenil), 1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002*, 2004 e 2005 e 2013
*Em 2002, foram realizados, separadamente, o Mundial de Vela da Isaf e o Mundial de Laser, ambos vencidos por Robert Scheidt
- Três medalhas olímpicas - ouro em Atlanta/1996 e Atenas/2004, prata em Sydney/2000
 
Star
- Três títulos mundiais - 2007, 2011 e 2012*
*Além de Scheidt e Bruno Prada, só os italianos Agostino Straulino e Nicolo Rode venceram três mundiais velejando juntos, na história da classe
- Duas medalhas olímpicas - prata em Pequim/2008 e bronze em Londres/2012
 
 

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