Único brasileiro do Tour de France 2013 fala sobre as primeiras etapas

Brasileiro em ação com a equipe no Tour de France 2013 / Foto: B.Bade/Tour de FranceBrasileiro em ação com a equipe no Tour de France 2013 / Foto: B.Bade/Tour de France

França - O catarinense Murilo Fischer segue firme na disputa do Tour de France 2013. Depois de percorrer 228 quilômetros válidos pela quinta etapa da Volta da França, o único brasileiro a participar da competição de ciclismo mais importante do planeta desde 2006 concedeu uma entrevista exclusiva ao Esporte Alternativo enquanto participava de uma seção de massagem logo depois de cruzar a linha de chegada na cidade de Marseille. 

Esse é o segundo grande Tour do sprintista brasileiro em 2013, que defendeu a FDJ no mês passado durante o Giro D´Itália 2013. A escalação foi confirmada no dia 23 de junho e foi um presente de aniversário para o brasileiro, que completou 34 anos no dia 16. Com 1,71m e 64kgs, essa é a melhor fase da carreira do ciclista de Brusque, que já esteve presente em duas edições do Tour de France, em 2007 e 2008. 

Orgulhoso por ter sido escolhido o único estrangeiro da equipe francesa, Murilo Fischer falou sobre o papel que desempenha durante a competição, sobre os objetivos nas próximas etapas e do reconhecimento que teve ao ser escalado para fazer parte da escuderia que vai brigar pela camiseta amarela, dada aos líderes da competição, nas próximas etapas.
 
O brasileiro falou ainda sobre o acidente que se envolveu logo na abertura do Tour de France, sobre as dificuldades enfrentadas na primeira semana da prova e sobre a competição que está sendo disputada hoje na França, bem diferente da que ele disputou em 2007 e 2008, quando Lance Armstrong era o grande astro movido por substâncias ilegais. 
 
Confira a entrevista completa dada por Murilo Fischer ao Esporte Alternativo: 
 
EA: Como que é participar de um Tour de France ? 
 
Murilo Fischer: Participar do Tour é, falando de ciclismo, a competição mais importante, mais midiática que existe. Então é importante. Esse Tour pra mim está sendo especial porque além de tudo isso, como vocês sabem, eu estou numa equipe francesa, a FDJ. Uma equipe que é tradicional e eu sou o único estrangeiro na equipe que está disputando o Tour. Então, pra mim, é um motivo de orgulho e o reconhecimento do meu trabalho. 
 
EA: O Esporte Alternativo tem acompanhando os últimos resultados do Tour de France 2013. Como que você avalia até aqui o seu desempenho ? 
 
Murilo Fischer:  Hoje o ciclismo é um trabalho de equipe. Cada um tem a sua função. Cada um tem o seu papel bem claro dentro da equipe. Eu não estou preocupado em chegar em 8º, 10º, 15º lugar ou no 155º lugar. Meu trabalho é ajudar a equipe. Resultado pra mim não existe e a equipe também não cobra isso de mim. O que eles cobram é que eu faça o meu trabalho. É como no futebol, para os brasileiros que estão acostumados. Cada um tem a sua posição. Cada um tem o seu trabalho dentro de um time. Então, o ciclismo hoje funciona assim. São nove atletas. Dois líderes. Os outros sete ciclistas trabalham pra eles. Então, não esperem nada de mim, entendeu ? Pra mim é um motivo de orgulho só o fato de fazer parte da equipe, porque eles reconhecem o meu trabalho. Eles reconhecem que eu posso fazer com que os líderes alcancem os seus objetivos. 
 
EA: Qual é o grande objetivo da FDJ para esse ano ? Existe uma meta ? 
 
Murilo Fischer: Tivemos uma grande surpresa no final do Tour de France na FDJ, que foi a décima colocação de Thibaut Pinot na classificação geral. Ele ainda ganhou uma etapa. Com isso, é lógico que esse ano a equipe optou por apostar as fichas nele. Ele continua sendo um jovem ciclista, bem forte, mas que não tem aquela experiência de um Alberto Contador, por exemplo, que certamente vai brigar pelo título da Volta da França. O objetivo de todas as equipes é ganhar o Tour de France. Lógico que o objetivo da nossa equipe é colocar ele na melhor colocação possível. É pra isso que estamos trabalhando. 
 
EA: O objetivo da equipe é pra ele subir na classificação geral ? 
 
Murilo Fischer: Lógico. A hora que começar as etapas de montanha vocês vão ver o nome dele (Thibaut Pinot) subindo na classificação. 
 
EA: Conta pra gente como é que foi participar dessas cinco etapas até agora ? Do contrarrelógio por equipes, das etapas de Córsega e dessa primeira etapa até Marseille. 
 
Murilo Fischer:  A primeira semana do Tour é sempre delicada. Normalmente tem problemas de tombo e acontecem muitos acidentes. Todo mundo quer ficar na melhor posição possível durante essas etapas iniciais. Por causa desses fatores, sempre é uma semana de muito stress. Pra nossa equipe, até agora, foi tranquila. Não teve nenhum grave acidente para atrapalhar o nosso objetivo. 
 
EA: Esse 12º lugar conquistado por sua equipe no contrarrelógio é considerado um bom resultado ? 
 
Murilo Fischer:  Não é nem a colocação que a gente conquistou e sim os segundos que foram perdidos. Esses 39 segundos não afetam nada o nosso objetivo daqui pra frente. Está tudo dentro do programado. 
 
EA: Você teve algum problema de furar pneu, acidentes, ou alguma outra coisa do tipo ? 
 
Murilo Fischer: Eu tive só um tombo na primeira etapa. Faltavam 5 quilômetros para a chegada e eu estava trabalhando para o William Bonnet, que é o sprintista da equipe, mas acabei me envolvendo numa queda. Por sorte foram só machucados superficiais. 
 
EA: O que você espera daqui pra frente ? Nessas próximas etapas ? 
 
Murilo Fisher: O objetivo principal é trabalhar para a equipe e fazer o que eles me pedem. Eles contam comigo e com o meu trabalho e esse é o motivo de eu estar aqui. A melhor forma de agradecer essa confiança é fazendo isso da melhor forma possível. 
 
EA: Você participou do Tour de France em 2007 e 2008. O que mudou do Tour daquela época, onde o Lance Armstrong, que era a grande estrela e que confessou que pedalava dopado, para o Tour de France de 2013 ? 
 
Murilo Fischer:  O ciclismo de hoje, o nosso ciclismo que a gente escolheu fazer, é um ciclismo que não tem mais nada a ver com o ciclismo de Lance Armstrong e companhia. O meu ciclismo é sempre um ciclismo tranquilo, sem esse tipo de problemas. Em termos de estrutura e de prova tudo está igual. 

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