Classes Star, HPE e S40 têm campeões antecipados na Rolex Ilhabela Sailing Week

Ginga, campeão na HPE  / Foto: Rolex/Carlo BorlenghiGinga, campeão na HPE / Foto: Rolex/Carlo Borlenghi

Ilhabela - A Rolex Ilhabela Sailing Week conheceu, nesta sexta-feira (12), no Yacht Club de Ilhabela (YCI), seus primeiros campeões da edição 2013. Alguns dos barcos considerados favoritos conseguiram manter a regularidade exigida por condições variadas de mar e vento para assegurar com um dia de antecedência o título. 
 
Na classe S40, o Crioula, do tático Samuel Albrecht, foi campeão com sete vitórias em oito regatas disputadas. Na HPE, o Ginga, de José Vicente, superou os outros 24 barcos da categoria a duas regatas do fim do campeonato. Enquanto na estreante Star, os tricampeões mundiais Robert Scheidt e Bruno Prada puderam trazer a Ilhabela o talento que os levou a tantas vitórias internacionais, para uma comemoração inédita. Na C30, o Loyal, de Marcelo Massa, está quase com a mão na taça. Precisa apenas de um sétimo lugar numa das duas últimas provas.
 
Nesta sexta-feira, com ventos fracos, na direção nordeste e intensidade média de 6 nós (10 km/h), a Comissão de Regatas realizou duas provas barla-sota, num percurso entre duas boias, ao norte de Ilhabela. A temperatura esteve sempre acima dos 20 graus, chegando a 25 no meio da regata. Os barcos voltam às disputas neste sábado (13), ao meio-dia, para a definição das classes C30, ORC, RGS e IRC.
 
Título vai para Porto Alegre na S40 - Depois de bater na trave no ano passado, o Crioula, barco do Veleiros do Sul (RS), ficou com o título da Rolex Ilhabela Sailing Week na S40, a classe dos barcos mais rápidos do evento internacional. Nas oito regatas, os gaúchos não deram oportunidade aos adversários, principalmente para o Carioca, de Roberto Martins. A sete vitórias foram consequência de largadas perfeitas, entrosamento e talento. "A dedicação e a habilidade dos tripulantes foram fundamentais para essa conquista. Velejamos em alto nível e em condições de vento e mar diferentes", explicou Samuel Albrecht, atleta olímpico e tático do Crioula. 
 
Na raia de S40 da Rolex Ilhabela Sailing Week, quatro barcos tentaram fazer frente aos gaúchos, inclusive o Magia V/Energisa, de Torben Grael, que acabou abandonando o campeonato devido à quebra do mastro. O clube Veleiros do Sul emprestou um barco aos argentinos, o Super Matanga. O clube gaúcho é apontado como um dos mais fortes do continente e um dos principais celeiros de campeões da modalidade no País. A bordo do Crioula, atletas que tentam vaga no Rio/2016, como o próprio Samuel Albrecht, Geison Mendes e Gustavo Thiesen, ajudaram o barco a ser campeão. "Depois da Rolex Ilhabela Sailing Week vou dar atenção à campanha olímpica para os Jogos de 2016. Decidi mudar de classe. Agora estou na Nacra, pois tenho o objetivo de fazer uma temporada como timoneiro em um monotipo do calendário olímpico", completou Samuel Albrecht, que fazia dupla com Fábio Pillar na classe 470. 
 
Show do Ginga - Mesmo sem seu principal tripulante, Breno Chvaicer, que se recupera de contusão, a tripulação do Ginga foi campeã por antecipação na HPE, comprovando o favoritismo. Foram cinco vitórias em nove regatas, numa das flotilhas mais equilibradas dos últimos tempos na vela oceânica. Os números da súmula mostram ainda que o quarteto de Ilhabela tem 14 pontos perdidos, 16 a menos do que o vice-líder, o Fit to Fly, de Eduardo Mangabeira. 
 
A primeira explicação para o sucesso, segundo o regulador de velas Juan de La Fuente, é a insistência nos treinamentos. "Cada manobra, como trocas de bordo, içar velas, escolhas das melhores rajadas e contornos de boia são treinados intensamente por nossa tripulação. Simulamos situações de regatas em treinos durante a semana na mesma raia da Rolex Ilhabela Sailing Week". Nas regatas desta sexta-feira, o Ginga não tomou conhecimento dos adversários e contornou a última boia de vento em popa nas duas provas, com larga vantagem na linha de chegada.
 
Os 24 adversários do Ginga tentaram se equiparar em velocidade, mas o desempenho da equipe foi digno da medalha de ouro. "Não é só entrosamento que justifica o sucesso do Ginga. Há outras equipes bem treinadas, mas o segredo deles é ter achado a velocidade certa do barco na reta (vento em popa), fruto de muito talento dos tripulantes. Vamos tentar achar essa velocidade também no popa", ressaltou Marcelo Bellotti, que comanda o SER Glass Eternity no evento em Ilhabela. "A classe HPE é a maior de monotipo do Brasil. São 25 barcos na competição, mais de 100 pessoas velejando, é difícil reunir tanta gente boa junta. Além disso, o barco é rápido e bom de velejar. Quem é competitivo vai sempre escolher a categoria".
 
Robert Scheidt e Bruno Prada brilham em Ilhabela - Os medalhistas olímpicos viveram uma semana inédita em Ilhabela e aproveitaram para matar as saudades das vitórias na Star, de velejarem juntos e da raia de Ilhabela, onde praticamente aprenderam a velejar. A classe olímpica, em comemoração aos 40 anos do evento, foi incluída no programa pela primeira vez para coroar a dupla tricampeã mundial. Scheidt e Prada não deram chance de reação aos adversários, com a incontestável campanha de oito vitórias em nove regatas disputadas e vantagem de 14 pontos sobre o adversário mais próximo. Com um descarte, a dupla soma 8 pontos perdidos. 
 
"Foi uma semana maravilhosa, exceção à regata de abertura, na qual não conseguimos velejar muito bem com vento fraco. A partir do segundo dia as condições melhoraram e conseguimos dar velocidade ao barco. O mais importante foi reativar a dupla. Independentemente de a Star retornar ao programa olímpico, queremos correr pelo menos uma ou duas competições da classe por ano", comentou Scheidt, eufórico, após a inédita conquista. 
 
Na raia, prevaleceu o entrosamento da dupla olímpica e o conhecimento da raia, considerada o quintal de casa para os dois velejadores. "Estamos mais bem treinados e conhecemos o regime de ventos. Isso fez com que errássemos pouco. Agora é descansar e aguardar a decisão da ISAF (Federação Internacional de Vela) sobre o futuro da Star", relatou Scheidt que segue competindo de Laser até que a definição sobre os Jogos do Rio/2016 seja anunciada. 
 
A disputa pelo vice-campeonato será intensa neste sábado, dia da décima e última prova do programa da Rolex Ilhabela Sailing Week para a classe Star. A dupla Marcelo Fuchs/Ronald Seifert tem apenas dois pontos perdidos a menos do que Lars Grael/Samuel Gonçalves: 22 a 24. A dupla Dino Pascolatto/ , com 28 pontos também pode chegar ao pódio. "Marcar o Lars será fundamental. Não podemos deixar que nenhum barco se posicione entre os nossos dois. Sei que o Lars prefere o vento fraco, o que deve ocorrer, mas para nós é melhor que esteja mais forte", projeta o proeiro Seifert. 
 
O também medalhista olímpico, Lars Grael, afirmou que vai velejar da melhor forma que puder, sem se preocupar com a posição de Fuchs e Seifert. "É um privilégio correr em Ilhabela no nível internacional que a inclusão da Star na Rolex Ilhabela Sailing Week nos proporcionou. Scheidt e Prada são tricampeões mundiais e justificaram essa condição aqui na Ilha", reconheceu Lars, parabenizando a dupla campeã. 
 
Resultados:
 
S40 após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Crioula (Clube Veleiros do Sul) - 7pp (1+1+[2]+1+1+1+1+1)
2º - Carioca 25 (Roberto Martins) - 13pp (2+3+1+2+2+2+2+2)
3º - Vesper 4 (João Marcos Mendes) - 24pp (4+5+4+3+3+[4]+3+3)
 
C30 após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Loyal (Marcelo Massa) - 9pp (1+1+1+1+1+1+3+[3])
2º - Katana/Energia (Mauro Dottori) - 17pp (3+3+[7]+4+2+3+1+1) 
3º - Caballo Loco (Mauro Dottori) - 22pp ([6]+2+3+3+3+4+5+2) 
 
Star - após 9 regatas e 1 descarte 
1º - Robert Scheidt/Bruno Prada - 8pp ([5]+1+1+1+1+1+1+1+1)
2º - Marcelo Fuchs/Ronald Seifert - 22pp (4+3+2+4+2+2+3+[5]+2) 
3º - Lars Grael/Samuel Gonçalves - 24pp ([7]2+3+3+4+3+2+4+3)
 
HPE - após 9 regatas e 1 descarte 
1º - Ginga (José Vicente Monteiro) - 14 pp ([4]+1+1+3+3+3+1+1+1) 
2º - FIt To Fly (Eduardo Mangabeira) - 30pp (2+[8]+5+7+5+1+5+2+3)
3º - Bond Girl Jimny (Carlos Wanderley) - 25pp ([13]+2+2+5+6+7+3+4+5)
 
ORC Geral - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Kiron (Leonardo Guilhermo) - 10pp (1+1+1+2+2+[2]+1+2)
2º - Angela VI (Peter Dirk) - 20pp ([29]+2+3+1+9+1+3+1)
3º - Absoluto (Renato Gama) - 37pp (14+5+4+9+3+5+8+3)
 
ORC 700 - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Rocket Power (Luiz Augusto Lopes) - 10pp ([5]+2+1+2+1+2+1+1)
2º - Prozak (Marcio Finamore) - 14pp (2+1+2+3+2+1+3+[5])
3º - Colin (Sebastian Menendez) - 21pp (1+5+[5]+4+3+4+2+2)
 
IRC - após 8 regatas e 1 descarte
1º - Angela Star (Peter Siemsen) - 20,5pp ([20]+1,5+2+1+8+3+4+1)
2º - Tangaroa (James Bellini) - 21pp (1+4+[7]+3+1+5+2+5)
3º - Ruda (Guilherme Hernandez) - 22,5pp ([7]+1,5+1+4+2+1+7+6)
 
RGS A - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Quiricomba (Gremio de Vela da Escola Naval) - 11pp (2+[6]+2+1+1+2+2+1)
2º - Jazz (Valeria Ravani) - 14pp (3+2+4+2+2+1+1+3)
3º - Inae Transbrasa (Bayard Umbuzeiro) - 24,5pp ([5]+1+3+4+3+3,5+9+5)
 
RGS B - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Albatroz (Gremio de Vela Escola Naval) - 22pp ([8]+5+6+4+4+1+1+1)
2º - Revanche (Celso de Faria) - 25pp (3+2+3+6+3+2+[7]+6)
3º - Mandinga (Jonas Penteado) - 27pp (1+1+2+1+1+3+18+[18]) 
 
RGS C - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Rainha/Empresta Capital (Leonardo Pacheco) - 6pp (2+1+2+1+1+1+1+[9])
2º - Santeria (Mauricio Martins) - 19pp ([15]+12+4+2+1+2)
3º - Azulao (Marcello Polonio) - 21pp (1+3+3+[4]+3+4+4+3)
 
RGS Cruiser - após 8 regatas e 1 descarte 
1º - Jambock (Marco Aleixo) - 8pp ([10]+1+1+1+1+1+1+2) 
2º - Cocoon (Luiz Caggiano) - 20pp ([10]+2+2+3+4+5+3+1)
3º - Boccaluppo (Claudio Melaragno) - 24pp (2+[10]+4+2+2+2+2+10)
 
Programação da 40ª edição da Rolex Ilhabela Sailing Week
 
13/7 - sábado: 
- 12h - Regatas Barla-Sota
- 17h - Confraternização no Yacht Club de Ilhabela
- 19h - Premiação da Rolex Ilhabela Sailing Week
 

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