Nilson Menezes: "Apitar em casa não é da mesma forma. A responsabilidade aumenta"

 Nilson Menezes e Rogério Pinto / Foto: Divulgação Nilson Menezes e Rogério Pinto / Foto: Divulgação
 
Nilson Menezes: "Apitar em casa não é da mesma forma. A responsabilidade aumenta"
 
A experiente dupla de árbitros Rogério Pinto e Nilson Menezes completa 20 anos de parceria em 2016, e a recompensa não poderia ser melhor: atuar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A participação no maior evento esportivo do Planeta não é um sonho só dos atletas, todo profissional envolvido com o esporte quer coroar a carreira fazendo parte desse megaevento. A dupla brasileira, que já esteve na edição de Pequim, fala um pouco da expectativa de atuar agora em casa, sobre a preparação que está fazendo para isso e sobre as novas regras que serão aplicadas. 
 
CBHb - Vocês já participaram dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e agora estarão no Rio de Janeiro. Como vocês receberam a notícia dessa convocação para a segunda Olimpíada?
 
Rogério - Recebemos com muita felicidade. No cenário atual, são raros os árbitros com duas Olimpíadas no currículo e, por isso também, estamos muitos felizes. Assim como todo esportista sonha em estar nas Olimpíadas, nós, árbitros, também temos esse objetivo pessoal. Estaremos lá para representar a arbitragem brasileira e pan-americana. Trabalhamos muito para conseguir esse objetivo novamente. Participamos dos principais torneios nesse ciclo e agora estamos colhendo o que plantamos. 
 
Nilson - Foi uma alegria imensa. Desde 2008, em Pequim, continuamos trabalhando para participar mais uma vez dos Jogos Olímpicos. Foi com muito entusiasmo que recebemos a notícia. Agora é trabalhar a cada dia como vínhamos fazendo e desfrutar do momento quando chegar as Olimpíadas.
 
CBHb - Qual a expectativa de atuar em uma Olimpíada em casa?
 
R - É fazer o melhor possível. A responsabilidade é a mesma de outras competições. Claro que existe o diferencial de ser na nossa casa, com os familiares assistindo. Teremos a nossa torcida também e queremos agradar a todos.
 
N - Apitar em casa não é da mesma forma. A responsabilidade aumenta. Estaremos representando o Brasil, a América e nossos amigos estarão assistindo e esperando um bom trabalho nosso. Temos que retribuir à altura o convite da Federação Internacional de Handebol (IHF). Assim como esperamos que a nossa Seleção vá muito bem e chegue no pódio, também queremos apitar um jogo que valha medalha.
 
CBHb - Antes dos Jogos Olímpicos, vocês também vão participar do Pré-Olímpico de Malmö, na Suécia, de 8 a 10 de abril. Será um bom preparatório?
 
R - Com certeza será um bom preparatório. Será um torneio muito forte. Os árbitros já terão que estar muito bem preparados, porque as equipes vão dar a vida pela vaga olímpica e nós vamos ter que controlar aquela ansiedade natural dos técnicos e jogadores.
 
N - Será um excelente preparatório. Serão quatro equipes brigando por duas vagas olímpicas. É uma oportunidade de ouro para nos testarmos. Não será fácil, mas a nossa preparação vem de cinco anos. Temos que dar continuidade ao trabalho que realizamos lá atrás e, nos próximos meses, estudar bastante para chegarmos na nossa melhor forma nos Jogos Olímpicos.
 
CBHb - Em 2015, vocês foram convidados para atuar no campeonato suíço e qatari. Como foi a experiência? Ajudou na evolução de vocês?
 
R - Foram campeonatos fortes e com maioria de jogadores europeus. São culturas diferentes. Desenvolvemos um trabalho interessante e, com certeza, evoluímos com isso.
 
N - A experiência foi ótima. São níveis de jogo europeu. Arbitramos com muita tranquilidade e fizemos um bom trabalho. O pessoal da comissão de arbitragem da IHF, que estava nos avaliando, também gostou bastante do nosso trabalho. 
 
CBHb - Hoje, com toda essa experiência, como vocês avaliam o nível da arbitragem da modalidade?
 
R - A arbitragem está passando por um excelente momento. Nesses últimos anos, estamos tendo grande aprendizado com as novas tecnologias. Como as equipes evoluem, a arbitragem também precisa avançar. Aliás, temos que estar até um passo à frente dos clubes. Acho que a grande mudança nesses últimos anos veio a partir de 2010, quando foram definidos os critérios para punições para cartão, amarelo, vermelho e punições de dois minutos. Deixou o jogo menos interpretativo.
 
N - Mundialmente, a arbitragem evoluiu muito. Nos torneios internacionais sempre há uma ou duas duplas das Américas. Já no Brasil, está sendo desenvolvido um trabalho muito bom de formação e aprimoramento dos árbitros.
 
CBHb - Como é o entrosamento da dupla, vocês têm sempre o mesmo posicionamento?
 
R - O segredo de trabalhar em dupla é justamente tentar manter o mesmo critério. Leva um pouco de tempo, mas trabalhando com a mesma pessoa você consegue um bom entrosamento para que os dois apitem com o mesmo estilo. A amizade fora de quadra também é importante para que tudo saia bem no trabalho.
 
N - A dupla tem que estar alinhada dentro e fora de quadra. Com o tempo os dois árbitros vão adaptando as suas características até os dois atingirem um ponto comum. Hoje nosso entrosamento é muito bom. Já nos conhecemos há anos e fica muito fácil trabalhar em conjunto.
 
CBHb - Recentemente, a IHF implantou cinco mudanças nas regras, que vão começar a valer oficialmente a partir de julho, o que vocês acharam dessas mudanças?
 
R - Acredito que toda mudança que vem para melhorar o jogo é bem-vinda. Nesse caso, foi para deixar a partida mais dinâmica. As novas regras foram aplicadas nos Mundiais Júnior e Juvenil. Já estamos tratando desse assunto há um ano e as regras foram bem aceitas.
 
N - Essas mudanças já foram testadas nos Mundiais Juvenil e Júnior. Pelo que conversamos foram mudanças positivas. Quando elas entrarem em vigor, o jogo vai ficar mais dinâmico e o esporte mais atrativo. Para os árbitros será um trabalho maior para se adaptarem, mas com treinamento vamos pegando prática.
 
CBHb - Vocês acham que foi uma boa escolha da IHF implantar as regras antes dos Jogos Olímpicos?
 
R - Acredito que elas vieram em boa hora. As regras já foram testadas e bem aceitas. As equipes já tinham conhecimento que isso poderia acontecer. Além disso, este será um ótimo momento para colocar as regras em prática. É um evento que será assistido em todo o Mundo.
 
N - No geral, as mudanças vêm sempre depois dos Jogos Olímpicos, mas foi um desejo muito grande que elas entrassem agora. Os técnicos também concordaram que elas poderiam ser aplicadas nas Olimpíadas, pois é o maior evento esportivo do Mundo e, como as novas regras são para trazer mais dinamismo, para a televisão, será uma boa ter um jogo mais rápido. Então, acho que a intenção é ver como todo mundo se adequa para depois analisar como o esporte ganha com isso.
 
Confira as novas regras: 
 
1.Goleiro-linha:
 
Regras 4:1 parágrafo 3, Regras 4:4-5-6-7
 
A Regra 4 permanece totalmente válida em vista das especificações para um goleiro ser substituído por um jogador. Contudo, a seguinte extensão da Regra será implementada:
 
1. Uma equipe pode estar em quadra com sete jogadores de campo ao mesmo tempo. Este é o caso se um jogador de campo substitui um goleiro. Não é obrigatório estar vestido com a mesma cor da camisa do goleiro.
 
2. Se a equipe está jogando com sete jogadores de campo, nenhum jogador pode exercer a função de goleiro, ou seja, nenhum jogador pode entrar na área para ocupar a posição de goleiro. Quando a bola está em jogo e um dos sete jogadores de linha entrar na área e destruir uma clara chance de gol, a equipe adversária terá um Tiro de 7 metros. A Regra 8:7f será aplicada.
 
3. No caso de substituição, as Regras 4:4-7 (regras normais para substituição de jogadores) serão aplicadas. Em tal caso, o goleiro reassume todos os seus direitos de acordo com as Regras 5 e 6.
 
4. Se uma equipe está jogando com 7 jogadores de campo e tem que executar um Tiro de Meta, um dos jogadores deve deixar o campo em uma substituição normal e o goleiro retorna para sua área de gol para executar este tiro. Os Árbitros decidirão se um Time-Out é necessário. 
 
2. Jogador lesionado:
 
Instruções para os árbitros sobre a Regra 4:11 Parágrafo 1:
 
* Se os Árbitros estão totalmente seguros de que um jogador lesionado precisa de atendimento médico dentro da quadra, eles imediatamente mostram os gestos nos 15 e 16. Não será permitido que os oficiais da equipe se recusem a entrar na quadra de jogo.
 
* Em todos os outros casos, os árbitros pedirão aos jogadores que se levantem e que recebam atendimento médico fora da quadra antes de usarem o gesto forma no 16.
 
* Qualquer jogador ou Oficial de Equipe que não cumpra essa disposição será punido por atitude antidesportiva.
 
Paragrafo 1 é alterado como segue: 
 
• Depois de receber atendimento médico dentro da quadra, o jogador deve sair da quadra de jogo.
 
• Ele pode entrar somente quando o terceiro ataque de sua equipe for completado. Os Delegados Técnicos serão responsáveis em controlar esta situação.
 
• Um ataque começa com a posse de bola e termina quando um gol for marcado ou a equipe atacante perder a bola.
 
• Se a equipe está em posse de bola quando seu jogador precisar atendimento médico, este ataque já é contado como primeiro ataque.
 
• Se o jogador entrar na quadra de jogo antes do final dos três ataques, ele deve ser punido como entrada ilegal (falta de substituição).
 
• A disposição acima mencionada não se aplica se a necessidade do atendimento da lesão dentro da quadra de jogo for o resultado do comportamento irregular do adversário que foi punido progressivamente pelos árbitros.
 
• Esta Regra não se aplica quando a cabeça de um goleiro for atingida e este necessitar de atendimento médico dentro da quadra.
 
3.Jogo Passivo
 
Manutenção das Regras básicas:
 
- As Regras 7:11 e 7:12 permanecem válidas.
 
- O Esclarecimento 4, Seções A, B e C e Anexo E permanecem inalterados.
 
Esclarecimento 4, Seção D, é especificada a seguir:
 
• Depois de mostrar o sinal de pré-passivo, os Árbitros podem apitar jogo passivo a qualquer momento se eles não reconhecerem uma tentativa em alcançar uma posição para arremessar ao gol. 
 
• Depois de mostrar o sinal de pré-passivo, a equipe advertida tem um total de 6 passes para arremessar ao gol.
 
• Se depois de no máximo 6 passes nenhum arremesso ao gol for feito, um dos árbitros apita jogo passivo (tiro-livre para a outra equipe).
 
• Se um tiro-livre for concedido para a equipe atacante, o número de passes não será interrompido.
 
• Se um arremesso for bloqueado pela equipe defensora, o número de passes não será interrompido.
 
• Se uma falta for cometida pela equipe defensora após o sexto passe, mas antes que os árbitros tenham apitado por jogo passivo, esta infração resultará em um tiro livre para a equipe atacante. Neste caso, a equipe atacante terá um passe adicional para completar o ataque, além da possibilidade de executar o tiro-livre direto.
 
• O número de passes contados pelos Árbitros é uma decisão com base na observação dos fatos de acordo com a Regra17:11 Parágrafo 1.
 
4.Último Minuto:
 
Regras 8:5, 8:6, 8:10c e 8:10d são ajustadas como segue:
 
1. As palavras "último minuto de jogo" devem ser trocadas por "últimos 30 segundos de jogo".
 
2. Uma falta segundo a Regra 8:10c (bola fora de jogo) será punida com uma desqualificação sem relatório escrito, e um tiro de 7 metros deve ser concedido para a equipe adversária.
 
3. Uma falta segundo as Regras 8:10d, 8:5, será punida com uma desqualificação sem relatório escrito, e um tiro de 7 metros deve ser concedido para a equipe adversária.
 
4. Uma falta segundo as Regras 8:10d e 8:6, será punida com uma desqualificação com relatório escrito, e um tiro de 7 metros deve ser concedido para a equipe adversária.
 
5. Nos casos 3) e 4) deverá ser aplicado o seguinte:
 
1. O atacante está apto a arremessar e marcar um gol: Não será concedido 7 metros.
 
2. O atacante passa a bola, seu companheiro falha em marcar um gol: Será concedido 7 metros.
 
3. O atacante passa a bola, seu companheiro marca o gol: Não será concedido tiro de 7 metros. 
 
5.Cartão Azul
 
Regra 16:8 (Regras 8:6, 8:10) o último parágrafo é alterado como segue:
 
• A informação será feita mostrando um cartão azul (em conjunto com o cartão vermelho).
• O cartão azul deve estar em posse dos árbitros.
 
Os árbitros mostrarão primeiro o cartão vermelho e depois, após uma breve conversa, o cartão azul.
 
As seguintes cinco mudanças nas Regras do jogo devem ser publicadas em 1° de Março de 2016 e devem ser usadas a partir de 1° de Julho de 2016.
 
1. Goleiro-Linha. Um jogador de linha pode ser o sétimo jogador em quadra no lugar do goleiro.
 
2. Jogador lesionado. Um jogador lesionado deve sair da quadra de jogo após ter recebido atendimento médico dentro da quadra e somente pode retornar após o terceiro ataque de sua equipe for completado.
 
3. Jogo Passivo. Após ser mostrado o sinal de pré-passivo, a equipe advertida terá um total de 6 passes para arremessar em gol.
 
4. Último minuto. Nas Regras 8:5, 8:6, 8:10c, 8:10d, as palavras "último minuto de jogo" devem ser trocadas por "últimos 30 segundos de jogo".
 
5. Cartão Azul. Os Árbitros tem um cartão azul somado aos cartões amarelo e vermelho para providenciar maior clareza relacionada com a Desqualificação de um jogador. Se este cartão for mostrado, um relatório escrito acompanhará a súmula e a Comissão Disciplinar será responsável por maiores ações.
 

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