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Daniela Piedade: "Depois dos Jogos Olímpicos vou me despedir da Seleção"

Atleta participa da quarta Olimpíada da carreira e com o privilégio de jogar em casa e contar com o apoio do torcida / Foto: Wander Roberto/Photo&GrafiaAtleta participa da quarta Olimpíada da carreira e com o privilégio de jogar em casa e contar com o apoio do torcida / Foto: Wander Roberto/Photo&Grafia

Daniela Piedade: "Depois dos Jogos Olímpicos vou me despedir da Seleção"
 
Aos 37 anos, a pivô da Seleção Feminina de Handebol, Daniela Piedade, irá disputar a quarta e última Olimpíada de sua carreira. A paulistana foi uma das primeiras atletas da equipe a deixar o Brasil para atuar em clubes europeus. Há mais de uma década fora do País, Dani já passou por times da Áustria, Eslovênia e Hungria, e trouxe para a Seleção a experiência de todos eles. 
Em 2012 passou por um momento delicado, quando sofreu um AVC e viu os planos de seguir no handebol incertos, mas com uma recuperação exemplar, ela retornou às quadras em 2013 e ainda ajudou o Brasil a conquistar o título mundial inédito na Sérvia.
 
Agora, o foco é total na conquista de outra medalha, dessa vez olímpica. Dani acredita que o Brasil tem boas chances e que estar em casa, com o apoio da torcida pode ser um diferencial. Depois disso, ela confirma os planos de aposentadoria da Seleção. Para a próxima temporada, já tem contrato com um novo clube. Com a verde e amarela, fará muita falta não só pelo desempenho técnico, mas pela alegria que mostra sempre em quadra e ao lado da torcida. 
 
Essa é sua quarta Olimpíada. Qual é o sentimento? 
 
Estou super ansiosa. Toda Olimpíada é especial. Mas eu vejo que essa será mais que especial. Jogar em casa e ainda ter a possibilidade de conquistar uma medalha. Será simplesmente maravilhoso.
 
Você está se despedindo da Seleção. Quando tomou essa decisão e como está se sentindo?
 
Depois dos Jogos Olímpicos vou me despedir da Seleção. Foram anos vestindo a amarelinha. Eu estava com isso na cabeça já há algum tempo. Depois do Pan-Americano de Cuba eu já tinha isso definido na minha cabeça. A despedida chega para todos, cedo ou tarde. Eu tenho quase o sentimento de missão comprida com a Seleção, pois ainda tenho os Jogos Olímpicos do Rio para fechar com chave de ouro. Mesmo me despedindo somente depois do Jogos, já tenho um sentimento de saudade. Vou sentir muita saudade de tudo e todos. Tudo vai ficar para sempre dentro do meu coração e da alma.
 
Você não é a única que já anunciou que irá deixar as quadras. Como você vê essa transição pela qual a Seleção terá que passar com a saída de importantes jogadoras? 
Isso faz parte. Não somos a única Seleção com estas mudanças. Tudo vai se adaptando. Só não sabemos se será para o melhor ou pior. Só o tempo dirá. 
 
Como está seu contrato com o clube? 
 
No ano que vem, vou jogar em outra equipe. Vou para Fehérvár KC, também na Hungria. Foi decidido no final da última temporada devido a problemas financeiros no Siofok KC. 
 
Quais seus planos após parar de jogar? Já pensou nisso? 
 
Eu tenho muitas ideias na minha cabeça. Mas ainda não tenho nada definido.
 
Você é a mais experiente da equipe. O que tenta passar para as mais novas? 
 
Eu tento de várias formas passar o meu conhecimento. Sempre é bom ajudar. Gosto muito. Não só dentro de quadra. A nossa equipe é bem aberta para a troca de experiências. Isso é um diferencial. 
 
Você vê grandes chances do Brasil nos Jogos do Rio? Acredita que estar em casa possa fazer diferença realmente? 
 
Eu acredito que a nossa Seleção tem grandes chances de chegar ao pódio. Jogar em casa é sempre um plus. Nós já sentimos esta diferença várias vezes e realmente nos ajuda muito. A torcida sempre nos impulsiona dentro de quadra. 
 
Há duas semanas estiveram na Arena do Futuro para um amistoso contra a Suíça. O coração bateu mais forte? 
 
Entrar na Arena do Futuro já deu um frio na barriga. Foi uma sensação muito boa. Vendo o público entrando na arena, já deu mais ou menos uma noção de como será nas Olimpíadas. Isso será sensacional. 
 
O handebol feminino é apontado como chance de medalha na Rio 2016. Você encara isso como pressão? 
 
A pressão sempre vai existir. Mas estamos nos preparando para isso. O foco na competição tem que estar em primeiro plano. 
 
Você chegou a praticar outro esporte antes do handebol? Sua família vem das pistas. Alguma vez pensou em ser piloto? 
 
Antes do handebol eu pratiquei várias outras modalidades. Vôlei, basquete, natação, futsal, ginástica e atletismo, nessa última fui federada por dois anos. Mas nunca pensei em ser piloto. Deixei isso para os homens da minha família. 
 
No próprio handebol você começou em outra posição, não é? Como foi a transição para pivô? 
 
Nas categorias de base eu jogava de armadora esquerda. Mas a mudança surgiu com o incentivo da Rita Orsi, em Jundiaí, onde eu jogava na época. Com olhos clínicos, ela acreditava que eu seria boa na posição de pivô. Eu não gostei muito da ideia. Tanto que quase desisti de jogar. Mas tanto ela como meu pai me incentivaram em jogar na posição. No final deu certo. 
 
Você adora cozinhar, mas é uma das atletas com a taxa de gordura mais baixa e o físico mais exemplar. Como isso é possível? O que você faz para conseguir isso? 
 
(risos). Realmente gosto muito de cozinhar e também de comer. Mas eu me controlo, sem exagero. Quando eu faço os meus doces, eu divido com as minhas amigas de equipe. Não como tudo sozinha. Mas eu tenho sorte com a genética também. E claro, muito treino.
 
 

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