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Jaque Mourão: 'São reais', sobre chances de vagas para Sochi 2014

Jaque Mourão: 'São reais', sobre chances de vagas para Sochi 2014  / Foto: DivulgaçãoJaque Mourão: 'São reais', sobre chances de vagas para Sochi 2014 / Foto: Divulgação

Jaque Mourão: 'São reais', sobre chances de vagas para Sochi 2014  

Rio de Janeiro - Há pouco mais de três meses do início dos Jogos Olímpicos Sochi 2014, o Esporte Alternativo entrevista um dos grandes nomes brasileiros dos esportes de inverno. Jaqueline Mourão, única brasileira a disputar os Jogos Olímpicos de Verão e Inverno, fala com exclusividade ao EA sobre a preparação para conseguir uma vaga (ou duas?) em Sochi.

A atleta de 37 anos começou como ciclista do mountain bike, disputando os Jogos de Atenas, em 2004 e de Pequim, em 2008. Em 2006, no entanto, Jaque já se aventurava pelo esqui, esporte que a levou a sua primeira Olimpíada de Inverno, em Turino, Itália. Em Vancouver, 2010, a brasileira foi tão importante que foi escolhida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para levar a bandeira da delegação na cerimônia de encerramento dos Jogos. 
 
Hoje, como salienta a esquiadora, o foco está em conseguir uma vaga para o Biathlon, esporte de inverno que consiste no esqui cross country e no tiro esportivo. Treinando para essa modalide há apenas três temporadas, Jaque está confiante na vaga. "As chances são reais", afirma. 
 
O esporte que sozinho a fez uma atleta completa, no entanto, não deve ser deixado de lado. A possibilidade de representar o Brasil no Biathlon e no esqui é grande, garante a atleta. 
 
Jaque ainda fala sobre seu ritmo de treinos em Canmore, no Canadá, com a equipe local de Biathlon e a participação geral do Brasil nos Jogos de Inverno. Por fim, a veterana confessa se já pensa em aposentadoria!

Confira a entrevista completa:
 
EA - Você é a única brasileira que já competiu nos Jogos de Verão e Inverno, em quatro edições olímpicas. Como foi essa transição entre o ciclismo, nos Jogos de Verão, e os esportes de inverno? 
 
Jaque - Um esporte ajudou o outro, o esqui é um esporte muito exigente fisicamente e me ajudou a melhorar minha forma no moutain bike. Quando comecei fui criticada por estar perdendo o foco ou que isso iria me atrapalhar, mas finalmente vejo que foi uma ótima escolha e estou muito feliz com todos os resultados que alcancei nestes dois esportes.
 
EA - Como está seu ritmo de treinamentos hoje, a menos de 100 dias de Sochi 2014?
 
Jaque - Este ano estamos dedicando 110%, eu estou hoje em uma ótima forma e com certa ansiedade para começar logo esta temporada olímpica! Dedico todo o meu tempo em melhorar meu rendimento ao máximo. Mesmo que esta seja somente a minha terceira temporada no Biathlon, já conquistamos muita coisa, como a participação inédita do Brasil em Mundiais e Copas do Mundo de Biathlon. Esse esporte é muito complexo, com muitos detalhes e, portanto, com muita coisa para aprender, mas tenho força de vontade e paciência para enfrentar todas as etapas.
 
EA - A opção por treinar em Canmore, no Canadá, foi sua? Quais os pontos positivos daí?
 
Jaque - O meu treinador propôs este Camp como preparação final para a temporada que começa em novembro. No ano passado queríamos ter vindo, mas não foi possível porque não conseguimos verba. Já este ano, com o programa de Solidariedade Olímpica e a ajuda do Ministério dos Esportes, conseguimos vir pra cá. Aqui é a sede da equipe canadense de Biathlon e poder treinar com as atletas canadenses me ajuda muito, além das instalações esportivas serem fantásticas e, sobretudo, é um dos poucos lugares que já no final de outubro tem pista com neve e de muita qualidade.
 
EA - Como você vislumbra as possibilidades de classificação no esqui cross country e no biathlon? Podeira explicar pra gente como funcionam essas classificações e em que pé elas estão?
 
Jaque - As chances são reais, mas o período de classificação ainda não terminou. No esqui cross country o Brasil já tem uma vaga, então a classificação é interna e a atleta que tiver melhores pontos FIS será a selecionada. Por enquanto estou liderando este ranking. Já no Biathlon, dependemos da relocação de vagas por país. Como eu consegui classificar para os mundiais de 2012 e 2013 - participação inédita de um brasileiro (a) neste campeonato - estes dois campeonatos somam pontos para um ranking de classificação olímpica. Mas os países somam pontos das melhores 3 atletas rankeadas, ou seja, todos os países que tinham somente uma atleta estão numa "lista de espera". Assim o Brasil está na quinta colocação, com boas perspectivas de conseguir a vaga, pois, da mesma forma que foi em Vancouver, muitos países não utilizam todas as cotas que têm direito e assim o próximo país recebe uma vaga. 
 
EA - Hoje, por conta de Sochi, o seu foco está nos treinamentos para o esqui e o tiro esportivo, mas você ainda tem planos para o MTB? 
 
Jaque - Eu adoro pedalar e nunca deixei minha bike de lado, mas se for competir seria somente para me divertir. Em 2009, começamos um projeto para desenvolver atletas de base, o MTeenB, e hoje em 2013 estas meninas estão tomando conta do cenário nacional e isso para mim é uma grande realização. 
 
EA - Você competiu em Sochi em março deste ano e se mostrou muito preocupada com as obras para os Jogos. Qual sua expectativa para essa Olimpíada em relação à estrutura?
 
Jaque - Realmente fiquei impressionada com a quantidade de obras, mas acredito que eles conseguirão realizar um jogos de sucesso, apesar dos gastos astronômicos que temos acompanhado na mídia.  
 
EA - Você foi 67º nas duas últimas disputas do esqui cross country, em Turim 2006 (Itália) e em Vancouver 2010 (Canadá). Há a expectativa de melhorar de posição em Sochi 2014? 
 
Jaque - Em Vancouver terminei em 66ª, uma atleta foi pega no doping e depois mudaram as posições tirando ela da lista. Bom, em Turim eu competi nos 10 km clássico e consegui vencer poucas atletas. Já em Vancouver fui muito mais competitiva e largando nos 10 km skate, que é o estilo em que sou melhor, conseguimos bater grandes nações, como por exemplo a Inglaterra, e fiquei muito feliz com minha performance e com meus pontos FIS. Agora na Rússia iremos estrear no Sprint, o qual não é minha especialidade, por ser uma prova muito curta, mas decidimos escolher esta prova pois o estilo é skate e assim poderíamos focar a preparação em somente um estilo. Mas não tenho a menor ideia do que esperar... Mas, claro, irei dar o meu melhor.  O que posso garantir é que minha dedicação é integral e que não estamos poupando esforços para poder representar bem o Brasil em Sochi 2014.
 
EA - É possível que o Brasil melhore a sua participação geral nos Jogos de Inverno, ou você acredita que a questão do clima daqui realmente é um impedimento?
 
Jaque - Sim, é possível,  principalmente porque nós brasileiros somos guerreiros. Mesmo que não tenhamos crescido em contato com a neve, nossa grande dedicação e vontade de aprender o máximo contribui para superar tal dificuldade. Garra e coragem é o que não falta nos atletas que irão para Sochi.
 
EA - Como você analisa o desenvolvimento dos atletas brasileiros para os Jogos de Inverno hoje em dia?
 
Jaque - Acredito que estamos crescendo e tornando cada vez mais competitivos no cenário internacional.
 
EA - Você está com 37 anos e uma carreira bastante vitoriosa no esporte, dando orgulho a muitos brasileiros. Já pensou se pretende continuar na ativa por mais um ciclo olímpico? 
 
Jaque - Eu agora penso "um ano após o outro", eu estou me sentindo mais forte do que nunca e claro que gostaria de tentar mais um ciclo olímpico, mas isso vamos ver com calma, ano a ano. Tenho o exemplo de atletas que me inspiram e que mesmo com a idade em torno dos 40 surpreendem no cenário internacional. É o caso da Gunn Rita Dale e da Sabine Spitz no mountain bike. Então vamos passo a passo, o esporte é a minha vida, mas com certeza a saúde está em primeiro lugar e enquanto estiver praticando esporte, amando o que eu faço e com saúde, não vejo razão em parar.

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