Renzo Agresta: Já imaginei como será na Olimpíada, com a arena lotada

Renzo Agresta em ação no Pan de Toronto / Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COBRenzo Agresta em ação no Pan de Toronto / Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB

Renzo Agresta: Já imaginei como será na Olimpíada, com a arena lotada
 
O esgrimista Renzo Agresta já está classificado para a disputa de sua quarta Olimpíada. A confirmação da vaga veio no fim de semana, quando o paulistano de 30 anos disputou o Grand Prix de Seul, última competição que valia pontos para o ranking olímpico, e garantiu sua classificação para os Jogos do Rio como o melhor atleta do continente americano.
 
 
Renzo, que passou boa parte do ciclo olímpico treinando em Roma, na Itália, retorna ao país em abril, para a disputa do Mundial de Esgrima por equipes, no Rio, que servirá como evento-teste, entre os dias 23 e 27. Depois, o esgrimista só volta ao Brasil para os Jogos Olímpicos. Na entrevista a seguir, Renzo conta um pouco de sua vida fora do Brasil, o estágio dos treinamentos e a expectativa para a sequência da temporada até a Olimpíada.
 
Como tem sido a sua preparação na Itália?
 
Está indo muito bem. Desde janeiro, após a disputa do Troféu Luxardo, em Pádua, estou conseguindo dar uma boa continuidade nos treinos. Estou analisando vídeos para fazer análise biomecânica, falando com os treinadores, e sinto uma evolução bacana. É uma sensação muito boa.
 
O que você tem feito nos treinamentos?
 
Tenho dado ênfase em alguns aspectos da parte técnica, como a reatividade dos pés, e também na parte física, na explosão. Tem uma novidade no treino físico que é a training mask, uma máscara que eu uso que diminui o recebimento do oxigênio e ajuda a ganhar resistência, volume pulmonar. Estou conseguindo coordenar bem o técnico e o físico, o que para mim é fundamental. 
 
Com quem você está treinando na Itália?
 
Eu treino com a seleção italiana e faço algumas atividades no clube Scherma Roma, de onde é o meu técnico, Alessandro Di Agostino (no Brasil, Renzo treina com Alkhas Lakerbai). É um misto.
 
Os italianos fazem muitas perguntas sobre a Olimpíada para você? Como está o clima na equipe?
 
Eu meio que virei referência para informações sobre o Brasil. Eles querem saber sobre o andamento das obras, o zika vírus... E eu, por ser brasileiro, acabo sendo uma fonte sobre as informações que eles recebem da mídia na Europa. Em relação ao clima da equipe, é aquele de reta final da classificação olímpica. As últimas vagas estão sendo definidas, então é clima de decisão.
 
E como é a sua vida fora do ginásio?
 
No último mês minha namorada ficou comigo em Roma e isso foi muito bom, ajudou bastante. Eu acabo ficando muito tempo longe da família, dos amigos, da namorada. Então, quando há a oportunidade de revê-los, é muito importante. O que eu faço no meu tempo livre, depende do meu cansaço. Se estou muito cansado, acabo ficando em casa vendo Netflix ou, no máximo, vou à casa de amigos. Quando estou um pouquinho mais descansado, tento ir em algum lugar que não conheço, mas ultimamente não tenho passeado, porque ainda está muito frio.
 
E você também precisa lidar com os afazeres domésticos...
 
É, tenho me aventurado a fazer alguma coisa a mais na cozinha. Vi um tutorial no YouTube - que salva quem mora sozinho! - de como fazer brócolis no vapor. Descobri também um arroz que vem em saquinhos, na dose certa, e que é fácil de fazer. Estou comprando algumas comidas orgânicas, mais carne branca, e tentando fazer alguma coisinha sem lactose. Algumas vezes como no centro de treinamento, porque acabo preferindo usar o tempo da cozinha para o descanso. Outro dia também estava vendo um tutorial de como costurar, porque tinha rasgado um casaco. Costurei pela primeira vez! Mas ainda bem que era a parte de dentro do casaco, porque ficou horrível! A faxina também sou eu que faço, procuro manter a casa organizada. Acho importante o feng shui, acredito na boa energia de uma casa organizada. Mas é bacana essa divisão da vida de atleta e da vida sozinho. Vira e mexe me vejo em situações inusitadas e preciso encontrar uma solução.
 
E do que você mais tem sentido falta do Brasil?
 
Algumas coisas eu realmente queria ter aqui... A última delas é batata doce, que estou com saudades. É um negócio super saudável, e não tem na Itália. Outra coisa que estou fazendo muito aqui é escutar música brasileira, algo que não faço tanto no Brasil. Às vezes vou com os amigos a um rodízio brasileiro. Não é sempre, mas eles gostam.
 
A equipe masculina de florete se qualificou para os Jogos do Rio, assim como a Nathalie Moellhausen, na espada. Como você vê a esgrima brasileira para a Olimpíada?
 
Estou muito feliz. Uma classificação por equipe é muito importante, porque mostra a força de uma arma no país. Já somos cinco pessoas classificadas para os Jogos, e ainda vamos ter o Pré-Olímpico, que pode classificar até mais três atletas. O Brasil também tem oito convites. É muito bacana.
 
Em abril você estará no Brasil para o Mundial de Esgrima por equipes, que será evento-teste. Já está imaginando como será na Olimpíada?
 
O Mundial por equipes vai ter a disputa do sabre masculino e do florete feminino, porque esses eventos não vão ser disputados na Olimpíada. Para mim, vai ser importante como um reconhecimento. Eu já vi a Arena Carioca 3, vi as fotos, e já imaginei como será na Olimpíada, com a arena lotada. Tenho certeza de que o brasileiro vai ser uma torcida diferente, como foi no Pan do Rio, que era um pouco uma torcida de futebol adaptada para a esgrima. Tenho certeza de que será uma torcida muito calorosa.
 
 
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